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Rural Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008, 13:49 - A | A

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008, 13h:49 - A | A

Prazo curto e juros altos inibem crédito para agricultores

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, elencou na noite de ontem (11) duas causas para que recursos disponibilizados pelo governo por intermédio de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) e de Cédula do Produtor Rural (CPR) não estejam sendo acessados pelas tradings e pelo agricultores.

Segundo ele, o prazo para o ACC é curto e os juros da CPR são muito altos. Stephanes se reuniu com representantes das trandings, de bancos e dos produtores rurais para analisar a questão.

Segundo ele, os bancos estão dando um prazo de apenas 90 dias para a quitação do ACC, o que é um período muito curto para o setor agrícola. Em relação à CPR, o ministro disse que esse tipo de crédito acabou ficando muito caro por causa das taxas de juros.

“É uma questão que temos que ter em vista e inclui o Banco do Brasil como agente do governo. Agora, vamos discutir esses problemas nas áreas competentes”, afirmou.

Por trás dessas barreiras está o risco de investimento, explica o ministro. As tradings, empresas que que costumavam financiar cerca de um terço da produção adiantando dinheiro ou fornecendo insumos aos produtores, não aumentaram seus investimentos e algumas, sem infra-estrutura no país, saíram do mercado.

Além disso, “os bancos privados simplesmente pararam [de financiar os agricultores], esqueceram de seus parceiros”, disse Stephanes.

O percentual da safra financiado pelas tradings teve forte queda porque foram mantidos os investimentos da safra passada, mas os custos de produção subiram cerca de 50%.

Os preços das commodities também têm caído, o que eleva ainda mais o risco de financiamento do setor agrícola. Para tentar diminuir o problema do risco, tanto produtores quando o ministro da Agricultura consideram importante o fortalecimento de políticas como a de garantia de preço mínimo, que poderiam garantir o pagamento dos empréstimos.

O presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), João Carlos Jacobsen, afirmou que as três tradings presentes na reunião (Bumge, ADM e Drayfes) disseram ter dinheiro, mas não querem assumir novos riscos. Os representantes das empresas saíram sem conversar com a imprensa. (Mapa)

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