Dois pesquisadores da Embrapa Pantanal estiveram no Pantanal de Beni, na Bolívia, para participar do “Encuentro técnico ganadero especializado en la búsqueda de más vacas paridas y más terneros al destete”. Sandra Mara Crispim e Carlos Padovani fizeram palestras para um público aproximado de 250 produtores, técnicos e estudantes.
A organização foi da Asociación de Gado Zebu, Federación de Ganaderos de Beni e Unión, uma empresa veterinária. O evento aconteceu na cidade de Trinidad, no noroeste da Bolívia.
Sandra Mara fez palestra sobre as fontes de alimentação para o gado: a) pastagens nativas e pastagens cultivadas em áreas úmidas; b) alternativas alimentares para todo o ano. Ela disse que no Pantanal de Beni apenas 1% da pastagem é cultivada. No Pantanal brasileiro, a estimativa é que a área cultivada seja em torno de 15%.
Sandra orientou os produtores para que não plantem pastagem exótica perto de corpos d’água, pois ali estão as melhores pastagens nativas. “Sugerimos que não substituam mais do que 10% da área da propriedade e que a cultivada seja utilizada em situações críticas, como para vacas perto de parir, novilhas à primeira cria, bezerros desmamados e touros após a estação de monta.”
Ela também falou sobre preços de bezerros cultivados em pastagens nativas e sobre o uso de sal mineral.
“Tentamos mostrar que, com soluções simples, como a marcação das vacas, é possível aumentar a produtividade”, disse ela.
Padovani apresentou aos bolivianos o Sismonpan (Sistema de Monitoramento do Pantanal), tecnologia lançada em abril deste ano que permite monitorar as cheias e secas do Pantanal. “Os bolivianos ficaram interessados em desenvolver algo semelhante lá”, disse o pesquisador da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Segundo ele, há um órgão como a nossa defesa civil, recém criado, que está começando a fazer previsões de cheia baseadas principalmente no nível do rio Mamoré, principal rio da região e afluente do rio Madeira. Nos últimos três anos, os pecuaristas conviveram com cheias severas e tiveram muito prejuízo.
Os pesquisadores mostraram que o mercado consumidor de carne vai crescer nos próximos anos, mas a produção precisa ser sustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental. Além disso, é preciso planejar a produção pensando no bem-estar animal e na segurança alimentar.
Padovani contou que o Pantanal de Beni tem muitos contrastes. Há propriedades tradicionais que não adotam nenhuma tecnologia, com nível mínimo de desenvolvimento, e fazendas altamente tecnificadas, pertencentes a estrangeiros.
As palestras terão como desdobramentos possíveis parcerias entre a Embrapa e instituições bolivianas. O país vizinho demonstrou muito interesse em enviar estagiários para Corumbá. (Assessoria Embrapa Pantanal)
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