Perspectivas que antes eram otimistas, devido ao forte desempenho de 2009-2010, agora passam a ser negativas perante os dados referentes à expectativa da Safra 2010-2011. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é de que o País colha entre 145,72 milhões e 147,93 milhões de toneladas. O levantamento estima redução de 667,6 mil a 3,1 milhões de toneladas, na comparação com a safra anterior – quando o recorde foi batido por conta da colheita de 148,82 milhões de toneladas. O motivo é o fenômeno meteorológico La Niña – que provoca aquecimento nas águas do Pacífico, mas, provoca reflexos no clima do Brasil também. O problema da estiagem na Região Centro-Oeste também é fator preponderante no caso, segundo técnicos da companhia.
Segundo a Conab, deve existir crescimento quando à área plantada: de até 47,99 milhões de hectares (ha). O aumento significaria índice de 1,3% na comparação com a safra anterior, quando foram plantados 47,37 milhões de ha.
O cenário mais pessimista, ainda segundo a Conab, indica ligeira queda (de -0,1%) – o que corresponderia a 47,32 milhões de ha plantados.
“A previsão de queda na colheita deve ser [pelo menos parcialmente] compensada pelo crescimento da área de plantio”, comenta, via assessoria de imprensa da Conab, o diretor de Política Agrícola e Informação do órgão, Sílvio Porto. “Ainda não foi descartada a possibilidade de, com a ajuda do clima, atingirmos as 523 milhões de toneladas projetadas pelo mercado. Mas para isso, claro, precisamos da colaboração do clima”, acrescenta.
Porto ainda explica como o La Niña afeta as lavouras no País. Ainda conforme repassado pela assessoria da Conab, via seu site oficial, Porto avalia: “O efeito desse fenômeno é uma redução das chuvas, impactando nas lavouras de milho e soja, principalmente no Norte, Nordeste e Sul. Janeiro e fevereiro são os meses de maior intensidade. O problema em relação ao Cento-Oeste é o fato de estarmos vivenciando um período de estiagem prolongado, que afetou principalmente a soja plantada mais cedo. Caso se confirme o La Niña, certamente acabaremos alterando os números apresentados.”
Estratégias para minimizar riscos
De acordo com a assessoria da Conab, sob o risco de queda na produção de milho – associada aos preços altos do mercado – o governo Federal cogita realizar leilão dos estoques públicos dos 5,5 milhões de toneladas do grão.
A intenção seria evitar que o custo maior acabe influenciando o preço das carnes, uma vez que o milho é um dos principais alimentos de aves e suínos.
“Já estamos nos preparando e conversando com outros ministérios, já que o apoio precisa ser feito por meio de portaria, visando a liberação desses estoques”, acrescenta, conforme repassado pela assessoria, José Maria dos Anjos, diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
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