Estudo publicado no início de junho pela revista científica Nature Climate Change mostrou que o cultivo de cana-de-açúcar em áreas que antes eram utilizadas para pastagem, podem equilibrar ou até mesmo aumentar o processo de captura de carbono pelo solo. O estudo foi intitulado “Estoques de carbono do solo na mudança do uso da terra para cultivo da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil”. Foram analisadas 13 áreas da região Centro-Sul do Brasil, onde foram realizadas as medidas e coletas de seis mil amostras de solo de 135 locais cultivados com cana-de-açúcar.
Segundo a pesquisa, dependendo das práticas de manejo adotadas, a substituição da pastagem pelo cultivo da cana-de-açúcar enriquece a estrutura física do solo, oferece maior porosidade e permite uma maior infiltração e armazenamento de água.
O estudo foi realizado com a colaboração de uma equipe formada por profissionais de diversos instituições renomadas, como o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Harvard University, Colorado State University e esclarece algumas dúvidas relacionadas ao agronegócio, com o objetivo de fortalecer os ganhos ambientais decorrentes da atividade canavieira.
De acordo com a pesquisa, mesmo nos casos em que se verifica a diminuição do estoque de carbono do solo no momento inicial da substituição da pastagem pela cana-de-açúcar, tal perda é compensada no prazo máximo de três anos de cultivo. A cana produzida nessas áreas equilibra, com o passar dos anos, as emissões de CO2 ocorridas na troca de cultura, já que o biocombustível, quando comparado com a gasolina, reduz em média 90% os gases responsáveis pelo efeito estufa.
O estudo também estimou que, para atender a essa demanda de etanol, será necessário a ampliação da área de cultivo da cana-de-açúcar dos atuais 9,7 milhões de hectares para 17 milhões de hectares. Uma opção para tal expansão é estender o cultivo da cana para áreas degradadas, principalmente aquelas utilizadas como pastagens. Atualmente, há 198 milhões de hectares de terra voltados à pastagem no Brasil e 60 milhões de hectares para a agricultura.
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