A Embrapa realiza de 7 a 10 de outubro, em Campo Grande-MS, o Curso de Melhoramento de Gado de Corte – Geneplus. A intensa programação do curso, com 32 horas de teoria e prática, tem como palestra de abertura a “Pecuária de corte no Brasil: estado da arte e perspectivas de mercado”, com o pesquisador da Embrapa, Guilherme Cunha Malafaia, doutor em Agronegócios. Os aspectos econômicos da aplicação de técnicas reprodutivas e as técnicas de manejo para preparo de touros para comercialização e readaptação a sistemas de reprodução ministrados pelos especialistas Thaís Basso Amaral e Rodrigo da Costa Gomes, respectivamente, também são novidades na grade 2014.
O curso é indicado para os profissionais da rede de assistência técnica pública e privada, associações de criadores e centrais de inseminação, criadores, técnicos em agropecuária, agrônomos, veterinários, zooctecnistas, administradores e acadêmicos dos últimos anos de ciências agrárias.
“Temos tecnologia disponível para alcançar as metas do Programa. É preciso trabalhar mais, transferir conhecimento e levá-los àqueles que atuam na cadeia produtiva”, afirma o pesquisador e coordenador da capacitação, Antonio do Nascimento Rosa. O melhorista expõe que os plantéis de seleção hoje no Brasil atendem, com animais superiores, no máximo 20% da demanda de touros e a maioria são animais provenientes do rebanho comercial e não submetidos a programas de melhoramento, com acompanhamento, avaliação e classificação. “Melhorou-se muito a produção, apesar disso, a pecuária, como um todo, carece de genética superior”.
Com mais de 30 anos de experiência, Antonio Rosa, explica ainda que a produção animal depende, principalmente, de dois insumos: o animal, representado pela genética; e o ambiente, pelas boas práticas de criação e os aspectos edafoclimáticos. Para ele, o produtor “pode melhorar as condições de ambiente, como acertos na taxa de desmame, por meio de ajustes no manejo, porém chegará um determinado ponto que o animal não terá genética suficiente para responder ao esperado ou o mercado demandará um produto diferenciado. A genética influencia fortemente em fatores como taxa de crescimento, musculosidade, rendimento de carcaça e qualidade da carne. É necessário trabalhar os dois lados da equação, animal e meio”.
Programa de Melhoramento – Pioneira em avaliação genética no Brasil, na década de 90, a Embrapa fomentou a importância da genética para o rebanho bovino nacional. Atualmente, o Programa de Melhoramento, liderado pela Embrapa Gado de Corte, tem 400 rebanhos inscritos, oriundos de 17 estados brasileiros e de raças, como Nelore, Brahma, Guzerá e Tabapuã (zebuínas), Hereford e Caracu (taurinas) e Canchim e Braford (sintéticas).
Antonio Rosa ressalta que ao dispor de tantos rebanhos, o Programa constrói “bases de dados interessantes, gerando resultados com parâmetros genéticos de cada raça, tendências a médio e longo prazo, associações das inúmeras características em diversas fases do animal e isso é importantíssimo para o desenvolvimento da pesquisa em genética animal”. O futuro, ratifica Rosa, aponta para a qualidade do produto e, por isso, o Programa inseriu a genética molecular em seu escopo. Ele também destaca a dimensão da proposta que dispõe de um corpo técnico envolvendo Unidades da Embrapa, Programa Geneplus, universidades, entidades e associações de criadores.
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