Uma reunião de negociação do Projeto Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC/FIP) definiu os últimos detalhes para a assinatura do acordo entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Banco Mundial, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa. O encontro ocorreu nesta terça-feira (27), na sede da instituição financeira, em Brasília. “Está tudo bem encaminhado. É um projeto muito importante, pois envolve Agricultura de Baixo Carbono e sustentabilidade. Além disso, é a primeira parceria do SENAR com o Banco Mundial e uma parte dos recursos será para assistência técnica, nova área de negócios da entidade”, destaca o secretário-executivo do Senar, Daniel Carrara.
O principal tema da programação foi o Acordo de Doação – que prevê recursos de US$ 10,6 milhões – do Banco Mundial para o projeto. Também foram debatidos aspectos de gerenciamento financeiro e carta de desembolso, o Documento de Avaliação do Projeto e as próximas etapas a serem cumpridas. A primeira delas será a análise, por parte da direção do Banco Mundial, das minutas de negociação elaboradas na reunião para a assinatura final do acordo. “Não temos mais nada da parte técnica ou legal para discutir. Para nós, esse projeto é extremamente inovador e representa uma política pública que vem ao encontro da posição do Banco em relação à Agricultura de Baixo Carbono. Vai gerar conhecimento para o Brasil e, pelo fato do Banco Mundial ser uma entidade internacional, poderá servir de exemplo para outros países também.
O valor agregado dele, que é a mudança da tecnologia por meio de capacitação, será muito importante”, analisa a economista agrícola do Banco Mundial, Barbara Farinelli.
Conforme a coordenadora de projetos especiais do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) do Senar, Patrícia Machado, a previsão é que no segundo semestre deste ano seja concluída a elaboração do material didático e do conteúdo das capacitações, junto com a Embrapa, e que tenha início a seleção dos consultores responsáveis pelo treinamento dos técnicos de campo. “A execução do projeto nas nove regionais do SENAR (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais e o Distrito Federal) envolvidas deverá ocorrer a partir de 2015”, informa.
Nesta terça-feira (27/5), foi publicado no Diário Oficial da União um termo formalizando o acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária e o SENAR para apoiar a iniciativa. Um comitê de monitoramento do projeto - formado por representantes do SENAR, Mapa e Embrapa - será oficializado, através de uma Portaria do ministério, dentro de 30 dias. Segundo o secretário substituto da Secretária de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do Mapa, José Guilherme Leal, o projeto dará condições para a realização do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) no bioma Cerrado, uma área importante para o desenvolvimento de ações de sustentabilidade, recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). “Esse projeto vai trazer um ganho muito grande na capacitação e assistência técnica. Vai garantir que os produtores rurais tenham acompanhamento dessas práticas sustentáveis e nesse contexto, o trabalho do SENAR é fundamental”, ressalta.
De acordo com informações do Senar, a ação conjunta do Serviço Nacional de Aprendizagem, do Ministério da Agricultura e da Embrapa, o Projeto ABC pretende incentivar e difundir a adoção de práticas sustentáveis para a redução das emissões de gases de efeito estufa e sensibilizar o produtor para que ele invista na sua propriedade de forma a ter retorno econômico mantendo o meio ambiente preservado. O Senar será responsável pela capacitação nas tecnologias, formação profissional e pela assessoria em campo, com recursos do Programa de Investimentos em Florestas (FIP, sigla em inglês) – via Banco Mundial.
O ABC vai atender nove estados do Bioma Cerrado (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais e o Distrito Federal), num período de três anos, com a promoção de quatro processos tecnológicos: recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto e florestas plantadas. O projeto prevê a realização de seminários de sensibilização e divulgação nos estados participantes, capacitação tecnológica de produtores e gerentes de propriedades e instrutores do SENAR e, ainda, treinamento dos técnicos que atuarão na assessoria em campo para os produtores. Ao todo, 1.200 propriedades serão atendidas nos projetos piloto a serem implementados em Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Esses estabelecimentos terão o compromisso de executar uma das tecnologias aprendidas e serão transformadas em cases de estudo e vitrines tecnológicas.
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