A crise internacional já provocou reflexos no mercado da carne no Mato Grosso do Sul, com queda no preço da arroba do boi pago aos produtores pelos frigoríficos. No entanto, o consumidor final ainda não sentiu mudanças nos preços. A análise é do presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Pedro Lacerda, e do chefe-geral da Embrapa Pantanal, José Aníbal Comastri Filho.
Desde 2007 a Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, monitora em seu site (www.cpap.embrapa.br) o preço médio de bovinos no Pantanal, com base em preços pagos em leilões.
Em outubro, um macho magro acima de 36 meses teve preço médio de R$ 1.119,32. Em novembro, o valor médio caiu para R$ 835,47.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, os frigoríficos estão pagando aos produtores entre R$ 73 e R$ 75 a arroba – antes da queda a arroba valia entre R$ 84 e R$ 86.
“Mas eles revendem ao varejo de R$ 90 a R$ 92. Isso significa que há uma manipulação dos preços”, disse Lacerda. No final da cadeia, segundo ele, quem paga a conta é o consumidor.
O presidente do sindicato negou que os pecuaristas estejam segurando boi no pasto. “Não tem gado. A oferta é baixa e o preço deveria estar bem acima disso”, afirmou. Lacerda lamentou ainda que o governo federal não intervenha nos frigoríficos.
Comastri também disse considerar “estranha” essa variação de preços entre o que o frigorífico paga ao produtor e o que recebe do varejo. “Infelizmente a queda nos preços não tem chegado ao consumidor final, que continua pagando o mesmo preço por quilo ou até mais”, disse o chefe-geral da Embrapa Pantanal.
Ele explicou que a crise internacional afeta o mercado, porque as exportações brasileiras tendem a diminuir. Assim, haveria mais oferta de carne no mercado interno e o preço deveria cair para o consumidor final. “É a lei da oferta e da procura”, afirmou.
Comastri acredita que no prazo de seis meses a um ano as exportações brasileiras voltem ao ritmo normal. “Aí teremos novamente uma valorização da arroba, com preços reais pagos ao produtor.” (Embrapa Pantanal)
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