De olho nas oportunidades comerciais que se desenham no mercado internacional, especialmente nos países da União Europeia (UE), para a carne do boi orgânico os produtores sul-mato-grossenses estão investindo cada vez mais na rastreabilidade do rebanho, visando se adequarem às normas do bloco econômico que exige um rígido controle do ciclo produtivo.
O chamado boi orgânico é criado em pastagens nativas e no seu manejo são utilizados apenas medicamentos homeopáticos e fitoterápicos. “É proibida a utilização de qualquer tipo de produto químico seja no solo, na pastagem ou no animal. Além disso, a produção tem que ser feita de modo a assegurar o bem-estar deste bovino e com responsabilidade social e ambiental”, explica o consultor da Associação Brasileira da Pecuária Orgânica (ABPO), Marcelo Rondon de Barros.
Ele comenta que para o animal ser enquadrado como orgânico a produção tem de ser certificada, o que implica em transparência e rastreabilidade no processo. No Estado, 12 fazendas têm o selo do Instituto de Certificação Biodinâmico (IBD) e seis estão em processo de certificação. Com a cria e a engorda do rebanho acompanhada e auditada, o produtor vende ao frigorífico um exemplar com alto valor agregado e que já conta com um bom nicho para a comercialização no País.
Marcelo, diz, entretanto, que o mercado internacional exige um controle maior de todas as etapas de produção, da cria ao processamento da carne, e que, por isso, o produtor que foca na exportação, está investindo mais neste monitoramento e inserindo sua propriedade no Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Entre os criadores de boi orgânico que aderiram ao Sisbov está José Geraldo de Freitas. Ele possui duas propriedades rurais em Corumbá, voltadas para a pecuária orgânica, onde cria cinco mil animais. Ele fez a inserção de uma delas ao sistema de rastreabilidade do MAPA e usa brincos óticos (feitos de plástico e que tem uma numeração impressa) para controlar o rebanho. “Através desse monitoramento temos condições de administrar melhor a fazenda e o gado, porque temos várias informações”, comenta.
O pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Pedro Paulo Pires, que trabalha no Programa de Carne e Couro – voltado justamente para melhorar a qualidade do produto e a lucratividade do produtor– aponta que existem no mercado outras alternativas de rastreamento, e que apesar do custo maior, apresentam resultados bem mais eficientes.
“A principal hoje é o chip eletrônico, o transponder. Com a implantação de um chip em cada animal, a colocação de uma balança eletrônica no pasto, de uma antena no brete e de um computador, o produtor vai ter informações diárias sobre a situação de cada animal, do seu nascimento até o encaminhamento para o abate”, revela.
Além de facilitar a gestão do rebanho e o acompanhamento, Pires indica como outras vantagens do chip o fato dele facilitar a emissão da Guia de Transporte Animal (GTA), documento imprescindível para qualquer movimentação com o gado, e a simplicidade do manejo, pois o rastreamento é feito todo pelo computador.
“O uso do chip tem ainda a vantagem de possibilitar a reutilização do equipamento. Quando se retira de um animal pode se colocar em outro, ao contrário, do brinco plástico, que uma vez cortado tem que ser jogado fora. Isso até justifica ser um pouco mais caro, em média uns R$ 5, contra R$ 1,50, do outro, que é descartável”, analisa.
Outra opção para o criador, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, é o uso de brinco com código de barras, que vai armazenar todos os dados do animal. Pires, no entanto, revela que essa opção também possui algumas desvantagens, como a questão da sujeira e até mesmo da movimentação da cabeça do bovino dificultar ou até impedir a leitura dos dados, o que torna o manejo mais difícil.
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