Candidato a deputado estadual, o professor Marcelo Miranda relembrou sua trajetória na infância e a relação com a música, que, segundo ele, ajudou a transformar uma fase de rebeldia em uma experiência marcada por disciplina, responsabilidade, respeito e convivência, valores que posteriormente levaria para a gestão pública.
Essa memória pessoal também influenciou o olhar de Marcelo quando assumiu a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), em 2023. A partir daquele momento, ele estreitou a relação do Estado com a Federação de Bandas e Fanfarras de Mato Grosso do Sul, presidida pelo maestro Fábio Costa, e passou a acompanhar de perto as demandas das corporações.
O circuito estadual voltou a ganhar espaço na agenda cultural, com etapas realizadas em diferentes municípios e participação de grupos formados por crianças, adolescentes, jovens e adultos.
O movimento ganhou escala nos anos seguintes. Em 2025, o Governo de Mato Grosso do Sul destinou R$ 350 mil à Federação para a realização do calendário de atividades, que contemplou 13 municípios e incluiu o Circuito Sul-Mato-Grossense de Bandas, o Campeonato Sul-Mato-Grossense de Bandas e Fanfarras e o Concurso Brasileiro de Bandas e Fanfarras. Naquele ano, a Federação registrava 70 bandas atuantes em 49 municípios, segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado.
Em março de 2026, o segmento também ganhou uma estrutura permanente de formação. Foi inaugurado, em Campo Grande, o Centro de Formação e Capacitação de Maestros, Instrutores, Coreógrafos e Integrantes de Bandas, Fanfarras e Orquestras de Mato Grosso do Sul (Ceforcap). O espaço é voltado à formação e à capacitação de profissionais e integrantes das corporações, ampliando as possibilidades de qualificação técnica do segmento. A estrutura sediou, em maio de 2026, o Congresso Brasileiro de Diretores e Entidades Estaduais de Bandas e Fanfarras, que reuniu representantes de 16 estados.
“Eu sei o que uma banda pode fazer na vida de um jovem porque eu vivi isso. A música me ensinou disciplina, respeito, responsabilidade e, principalmente, a importância de trabalhar em equipe. Quando a gente apoia uma banda, não está apoiando apenas uma apresentação. Está ajudando a formar pessoas e dando oportunidade para crianças e jovens descobrirem um caminho por meio da cultura”, afirma o professor Marcelo Miranda.
O resultado desse trabalho também apareceu em competições nacionais. No Campeonato Brasileiro de Bandas e Fanfarras de 2025, realizado em Amparo (SP), Mato Grosso do Sul teve representantes entre os destaques da competição. A Banda de Percussão Mário Guerreiro, da Escola Estadual Professora Dóris Mendes Trindade, de Aquidauana, conquistou o título nacional na categoria Banda de Percussão com Liras Sênior.
À frente da Federação de Bandas e Fanfarras, Fábio Costa acompanhou essa trajetória e destaca o papel de Marcelo na retomada do segmento.
“O professor Marcelo é um dos grandes amigos das bandas e fanfarras. Ele olhou para um segmento que estava esquecido, ouviu os maestros, conheceu as dificuldades das corporações e abriu as portas do Estado para que pudéssemos voltar a fazer campeonatos, levar nossas bandas para competir e representar Mato Grosso do Sul. O Marcelo não foi apenas um gestor que apoiou as bandas. Ele realmente abraçou a causa, porque gosta, conhece e acredita no que uma banda pode fazer na formação de um jovem. Para nós, ele foi fundamental nesse resgate”, afirma Fábio Costa.
A atuação das corporações também se espalhou pelo interior do Estado. Agremiações de Aquidauana, Rochedo, Três Lagoas, Rio Brilhante, Camapuã, Nova Alvorada do Sul, Porto Murtinho, Glória de Dourados e outros municípios passaram a participar de etapas estaduais e competições nacionais, levando o nome de suas cidades para além de Mato Grosso do Sul.
Para Marcelo, esse é o sentido de fortalecer um segmento que, em sua avaliação, reúne aspectos culturais, educacionais e sociais.
“Eu tenho um carinho muito especial pelas bandas e fanfarras porque sei o que elas representam. Quero ver nossos municípios tendo estrutura, nossos maestros tendo apoio e nossos jovens tendo a oportunidade de subir em um palco, entrar em uma competição e representar Mato Grosso do Sul. Quando esse trabalho chega ao pódio nacional, o troféu é apenas a consequência de tudo o que foi construído antes dele”, conclui.
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