O vereador Landmark Rios (PT) alertou para os impactos da crise fiscal sobre áreas como habitação, saúde e valorização dos servidores durante audiência pública sobre a prestação de contas da Secretaria Municipal de Fazenda, realizada na semana passada na Câmara Municipal de Campo Grande.
Durante o pronunciamento, o parlamentar demonstrou preocupação com o crescimento do comprometimento da folha salarial do município, a falta de investimentos estruturais e as dificuldades para ampliar políticas públicas em áreas essenciais.
“Hoje nós temos mais de 5 mil servidores do município recebendo um salário mínimo. Muitas vezes, precisam fazer plantões e horas extras para conseguir sobreviver”, afirmou Landmark.
O vereador também chamou atenção para o crescimento vegetativo da folha de pagamento da Prefeitura, que atualmente compromete 53,9% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município, acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
“A folha cresce naturalmente por conta dos direitos dos servidores. E aí fica aquele cobertor curto: cobre a cabeça e descobre o pé”, disse.
Durante a audiência, o secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, confirmou que os gastos com pessoal continuam pressionando o orçamento da Capital.
“As despesas vegetativas sobem normalmente, mesmo com todo o nosso empenho. Tenho buscado equilíbrio entre receita e despesa, mas não é fácil”, declarou.
O secretário explicou ainda que os reajustes concedidos à educação e o crescimento natural da folha impactaram diretamente os índices fiscais do município.
“A folha da educação representa quase 50% da folha total. Então, qualquer reajuste impacta todo o conjunto”, afirmou.
Além da situação dos servidores, Landmark voltou a defender investimentos permanentes em habitação popular, destacando o crescimento das comunidades e ocupações urbanas em Campo Grande.
“Nós temos mais de 220 comunidades e ocupações que precisam de moradia. São milhares de famílias esperando uma casa própria e pagando aluguel”, afirmou.
O vereador também relembrou a proposta defendida por seu mandato que prevê a destinação de 1% do orçamento municipal para políticas habitacionais.
“Quando a gente fala de habitação, temos que colocar dinheiro no orçamento. Não adianta apenas discutir o problema sem criar um investimento permanente para resolvê-lo”, declarou.
Segundo Landmark, a política habitacional precisa ser tratada como prioridade estrutural dentro da elaboração do orçamento municipal.
“O debate do orçamento é um debate político. E Campo Grande não pode ficar fora dessa discussão”, afirmou.
Durante a audiência pública, também foram apresentados dados sobre arrecadação, saúde, educação e despesas do município. A receita da Capital cresceu 4,32% nos primeiros quatro meses de 2026, alcançando R$ 1,28 bilhão.
Também participaram da audiência os vereadores Otávio Trad, Luiza Ribeiro, Ronilço Guerreiro, Maicon Nogueira e outros parlamentares da Câmara Municipal.
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