As investigações sobre o suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias urbanas e tapa-buracos em Campo Grande continuam deixando rastros dentro da Prefeitura da Capital.
A prefeita Adriane Lopes assinou a exoneração de Thiago Nogueira Pereira do cargo em comissão de gestor de projetos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).
O decreto foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta quarta-feira (20), com efeito imediato.
Segundo as investigações, Thiago Nogueira é citado em apuração do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) sobre o suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias urbanas e tapa-buracos em Campo Grande.
A reportagem do Capital News teve acesso aos documentos da investigação, que apontam que Thiago é filho de Edivaldo Aquino Pereira, servidor investigado e descrito como gestor de projetos e fiscal substituto da Sisep, um dos sete presos durante a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada no último dia 12. No dia da ação, outro filho de Edivaldo também foi preso, mas por porte de drogas.
Ainda de acordo com as investigações, Edivaldo teria desempenhado papel relevante na operacionalização direta das fraudes e no desvio de recursos públicos. A apuração afirma que a função dele consistia em “validar medições fictícias e atestar a execução de serviços” que, conforme o órgão, não teriam sido prestados ou teriam sido executados de forma precária por empresas contratadas pelo município.
É nesse contexto que Thiago aparece na investigação. O MPMS afirma que Edivaldo teria usado o filho “como intermediário para o recebimento de propinas destinadas à cúpula do grupo”.
A investigação do Gecoc trata de suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações e manipulação de medições em contratos da Sisep. Em um dos trechos, o Ministério Público afirma que a engrenagem do esquema funcionava por meio de “manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço”, fazendo com que pagamentos não correspondessem ao trabalho efetivamente realizado.
O documento também aponta que a Construtora Rial Ltda., uma das empresas citadas na investigação, manteve contratos e aditivos com a administração municipal que somaram R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. Segundo o Gecoc, os valores pagos não teriam lastro na realidade das obras executadas.
Os nomes do engenheiro Mehdi Talayeh, então superintendente de Serviços Públicos da Sisep, e de Edivaldo Aquino Pereira, responsável pela Gerência de Manutenção de Vias e pelas operações de tapa-buracos, aparecem nas investigações como figuras centrais do suposto esquema.
Segundo a administração municipal, os contratos investigados pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) existem desde 2017 e seriam oriundos da gestão anterior.
Em nota oficial, a prefeitura informou que acompanha as investigações e afirmou que todos os servidores investigados serão afastados das funções.
“A Sisep acompanha os trabalhos do Gecoc, de modo a colaborar com a lisura, transparência e esclarecimento dos fatos. Os servidores investigados estão sendo exonerados das funções a partir da data de hoje para que apresentem suas defesas”, informou a prefeitura.
A administração municipal também afirmou que poderá adotar novas medidas administrativas para evitar impactos nos serviços de manutenção das ruas da cidade.
• Saiba mais sobre a Operação “Buraco Sem Fim”
Operação “Buraco Sem Fim”
A Operação “Buraco Sem Fim” foi deflagrada na terça-feira (12), com sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.
Além de Mehdi Talayeh e Edivaldo Pereira, foram presos o ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, os servidores Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira, além dos empresários Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, proprietário da Construtora Rial Ltda., e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.
Durante o cumprimento dos mandados, investigadores apreenderam cerca de R$ 186 mil em dinheiro vivo na residência de Rudi Fiorese. Em outro imóvel ligado a um servidor investigado, foram encontrados mais R$ 233 mil em espécie, totalizando ao menos R$ 429 mil apreendidos pela operação.
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