Mato Grosso do Sul permanece entre os dez estados mais competitivos do Brasil e alcançou o 10º lugar no Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O principal avanço do Estado ocorreu no pilar de Eficiência da Máquina Pública, em que subiu três posições e chegou ao 5º lugar nacional.
O resultado foi apresentado na quinta-feira (27), em São Paulo, durante o lançamento da edição 2026 do ranking, que reuniu governadores para discutir temas como gestão pública, competitividade, capital humano, sustentabilidade, equilíbrio fiscal, inovação e uso de dados na formulação de políticas públicas.
Para o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, o desempenho está relacionado à capacidade de transformar planejamento e recursos públicos em serviços e resultados para a população.
“Se a gente conseguir entregar o que parece básico e essencial bem feito, e as pessoas perceberem menos a ausência do Governo do que a presença, acho que já estaremos construindo um grande legado”, afirmou Riedel durante o Painel de Governadores.
Além do desempenho no ranking, Mato Grosso do Sul conquistou o Prêmio Excelência em Competitividade 2026 com a iniciativa “Sem Deixar Ninguém Para Trás”, voltada à redução da extrema pobreza. Segundo dados apresentados pelo CLP, a extrema pobreza no Estado caiu de 2,7% para 1,6% em dois anos.
Gestão baseada em dados
Ao apresentar as ações desenvolvidas em Mato Grosso do Sul, Riedel destacou quatro elementos que considera fundamentais para a continuidade das políticas públicas: formação de equipes técnicas, estabilidade política, responsabilidade fiscal e utilização de dados para orientar decisões.
Segundo o governador, o desempenho dos estados que ocupam posições de destaque no ranking não é resultado de medidas improvisadas, mas de políticas mantidas ao longo do tempo, mecanismos de governança e acompanhamento sistemático das metas.
“A política pública depende muito de uma transformação cultural, de uma transformação em que se estimula a liderança dos times. O nosso papel é montar equipes comprometidas com esse caminhar e capazes de entregar bons resultados para a sociedade”, afirmou.
A avaliação da gestão, segundo Riedel, também deve considerar os efeitos dos investimentos sobre a população, e não apenas o volume de recursos aplicados ou o número de obras executadas.
Em Mato Grosso do Sul, o Centro de Inteligência do Governo Estadual reúne informações de diferentes áreas da administração. Painéis de monitoramento permitem acompanhar obras, políticas públicas e indicadores nos 79 municípios.
A análise dos dados pode auxiliar na comparação de investimentos por habitante, na identificação de desigualdades regionais, na definição de prioridades e no direcionamento de recursos.
“O capital humano só se transforma em vantagem competitiva quando encontra investimento em tecnologia e oportunidade. A análise e o monitoramento de dados precisam fazer parte da tomada de decisão, especialmente porque os recursos são escassos e sempre haverá necessidade de priorizar”, disse Riedel.
Desenvolvimento econômico e inclusão social
A estratégia apresentada pelo governador reúne quatro eixos: prosperidade, inclusão, sustentabilidade ambiental e transformação digital.
Mato Grosso do Sul possui uma carteira estimada em R$ 105 bilhões em investimentos privados em andamento ou anunciados para os próximos anos, segundo dados do Governo do Estado.
Para Riedel, entretanto, o crescimento econômico precisa alcançar também a população que permanece distante das oportunidades.
A política “Sem Deixar Ninguém Para Trás” atua justamente sobre famílias em situação de vulnerabilidade. A iniciativa utiliza busca ativa, cruzamento de dados e diagnóstico socioassistencial para identificar pessoas que não estavam sendo alcançadas pelas políticas públicas.
“O objetivo é resgatar aquela família e aquela pessoa que ainda não encontraram uma oportunidade. É quase um médico de família social. Não é apenas distribuir renda, mas identificar a situação e entregar, de forma integrada, as políticas públicas que podem transformar aquela realidade”, explicou.
Educação profissional
A preparação dos jovens para as mudanças econômicas também foi destacada durante o painel.
Atualmente, cerca de 55% dos estudantes do ensino médio da rede estadual participam de cursos profissionalizantes, segundo dados apresentados pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
A proposta é aproximar a formação escolar das demandas do mercado de trabalho e preparar os estudantes para as novas oportunidades geradas pela expansão econômica e pela chegada de investimentos privados.
Para Riedel, a atração de empresas e investimentos precisa estar acompanhada da qualificação da mão de obra local.
Sustentabilidade e infraestrutura
Outro eixo apresentado pelo governador foi a tentativa de conciliar crescimento econômico e preservação ambiental.
Mato Grosso do Sul trabalha com a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2030 e desenvolve iniciativas relacionadas a serviços ambientais, conservação da biodiversidade e atração de investimentos com menor impacto ambiental.
A mesma estratégia de planejamento é aplicada à infraestrutura. O Governo do Estado prevê investimentos em pavimentação, saneamento, conectividade digital e integração logística, incluindo projetos relacionados à Rota Bioceânica.
A proposta combina recursos públicos e privados para ampliar a circulação de pessoas, produtos e serviços e fortalecer a posição de Mato Grosso do Sul no cenário nacional.
Governadores destacam gestão de MS
Durante o encontro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou semelhanças entre os modelos de gestão dos dois estados.
Segundo ele, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul compartilham uma administração baseada em indicadores, planejamento e atenção às populações em situação de vulnerabilidade.
“O que aproxima Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul é a decisão de governar com dados, com planejamento e com olhar para quem mais precisa”, afirmou.
Leite também citou o programa sul-mato-grossense de redução da extrema pobreza e classificou a iniciativa como uma política baseada em evidências.
“O governador Eduardo Riedel é um dos grandes líderes políticos do Brasil na atualidade”, afirmou Leite, relacionando a avaliação à combinação entre eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e resultados sociais.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, que lidera o ranking geral de competitividade em 2026, também defendeu o uso de dados na administração pública.
“A tecnologia e a informação são fundamentais para decidir. Não se pode governar no achismo; é preciso ter dados, parâmetros e cálculos para saber o que vai acontecer”, afirmou.
CLP destaca políticas públicas de MS
O diretor-presidente do Centro de Liderança Pública, Tadeu Barros, também avaliou positivamente o desempenho de Mato Grosso do Sul.
Segundo Barros, o Estado passou a ser uma referência em gestão pública e políticas que buscam melhorar indicadores sociais e econômicos.
“Mato Grosso do Sul tem se destacado no cenário nacional e já é a quarta vez que o governo Eduardo Riedel está entre os finalistas. É um prazer ter o Estado novamente aqui para inspirar o Brasil. O Estado está mostrando que está fazendo a lição de casa”, declarou.
Em 2026, o Estado conquistou o Prêmio Excelência em Competitividade com o programa “Sem Deixar Ninguém Para Trás”, em uma edição que teve mais de 400 iniciativas inscritas.
Ranking é fotografia da gestão
O mediador do painel, Leandro Castro, da Valid, afirmou que o ranking representa uma fotografia do desempenho dos estados em determinado momento. Segundo ele, os resultados são consequência de decisões administrativas e políticas públicas desenvolvidas ao longo do tempo.
“Quando a gente olha para um ranking, ele é uma fotografia. O que faz aqueles estados ou aquela cidade performarem melhor são as ações e as tomadas de decisão, muitas vezes não triviais e difíceis, mas que colocam o Estado, as prefeituras e o governo de modo geral no caminho de encontrar a maior eficiência da máquina e o maior valor entregue ao cidadão”, afirmou.
Castro destacou que o uso de dados permite aos gestores analisar problemas, investimentos e indicadores com maior precisão, além de ampliar a transparência das informações para a sociedade.
Não existe modelo único
Apesar de defender princípios comuns para uma administração eficiente, Riedel afirmou que não existe um modelo único de gestão que possa ser aplicado da mesma forma em todos os estados.
Cada unidade da Federação possui características econômicas, sociais, culturais e fiscais próprias. Por isso, políticas que apresentam resultados em determinado território podem não produzir os mesmos efeitos em outro.
Para o governador, o ponto em comum está na capacidade de formar equipes, definir prioridades, acompanhar resultados e transformar planejamento em ações concretas.
“Cada estado tem sua realidade, mas a capacidade de montar times comprometidos com bons resultados é uma condição comum a todos. A sociedade espera que o governo entregue mais, que seja eficiente e que consiga melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, Riedel relacionou o desempenho das políticas públicas à mobilidade social, defendendo que o sucesso de uma gestão também deve ser medido pela capacidade de criar oportunidades para as próximas gerações.
“Mobilidade social é garantir que os filhos tenham oportunidades melhores que as dos pais. É olhar para frente e dizer: estou em um lugar que pode oferecer uma vida melhor para os meus filhos. Esse é um dos maiores sentidos de uma política pública bem executada”, concluiu.
• • • • •
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.
• • • • •
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado.

