A fiscalização das rodovias concedidas em Mato Grosso do Sul ganhou um reforço que vai além da presença de equipes em campo. Segundo a Agência Estadual de Regulação (Agems), o uso de painéis de inteligência e monitoramento contínuo tem permitido acompanhar, em tempo real, a execução de obras em cerca de 1.500 quilômetros de estradas sob concessão.
De acordo com o órgão estadual, a proposta é transformar dados em decisões estratégicas, garantindo que os investimentos previstos saiam do papel, que os serviços sejam entregues e que as tarifas cobradas permaneçam alinhadas ao interesse público.
Segundo o diretor-presidente da agência, Carlos Alberto de Assis, o trabalho de regulação vai além da vistoria física das obras.
“Não se trata apenas de acompanhar obras, mas de assegurar que investimentos, receitas e tarifas estejam equilibrados e atendam à população”, afirmou.
Monitoramento
O acompanhamento econômico das concessões se baseia em dois eixos principais:
execução dos investimentos, comparando o que foi previsto com o que está sendo realizado;
tráfego e receita, que impactam diretamente o equilíbrio financeiro dos contratos e o valor dos pedágios.
Essas análises utilizam estudos como o EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), que define projeções de custos, demanda e receitas ao longo de todo o contrato — e que agora passam a ser monitoradas continuamente pela agência.
Segundo a Agems, para lidar com o grande volume de informações, foram desenvolvidos painéis visuais que organizam dados técnicos em linguagem acessível. Na prática, eles permitem verificar rapidamente se uma obra está dentro do cronograma, atrasada ou adiantada.
Um dos exemplos está na concessão da chamada Rota da Celulose, com 870 quilômetros. No trecho da BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, a duplicação prevista envolve investimento de cerca de R$ 600 milhões, com execução distribuída ao longo de vários anos — tudo acompanhado em tempo real pelos sistemas.
No caso da MS-040, outro trecho da mesma concessão, estão previstos R$ 740 milhões para melhorias, como recuperação do pavimento e implantação de acostamentos, também sob monitoramento detalhado.
Mais transparência e menos improviso
De acordo com o coordenador da Câmara de Regulação Econômica, Kaio Mendes, a tecnologia permite respostas mais rápidas:
“Os painéis permitem verificar rapidamente se o percentual previsto de execução foi cumprido, se houve atraso ou antecipação. Essa visão facilita a tomada de decisão”, explicou.
A diretora de Transportes e Rodovias, Caroline Tomanquevez, destacou que o modelo evoluiu com a experiência acumulada em concessões anteriores, como as das rodovias MS-306 e MS-112.
Segundo ela, o acompanhamento detalhado também ajuda a evitar impactos no bolso do usuário.
“A regulação econômica atua para equilibrar investimentos e receitas, garantindo o menor impacto possível nas tarifas”, afirmou.
Concessões sob vigilância permanente
Com a digitalização dos dados, a agência afirma ter uma visão mais ampla e precisa das concessões em andamento. A expectativa é que o uso dessas ferramentas amplie a transparência e fortaleça a fiscalização, em um cenário de crescimento das parcerias com a iniciativa privada.
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