O “Caso Agehab”, como ficou conhecido o sistema de aplicações de golpes da casa própria na Capital, pode estar próximo de ser desvendado. O montante em prejuízo poderia ser de no mínimo cerca de a R$ 300 mil, segundo apurou a Dedfaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários). “Umas duzentas casas foram vendidas a um valor de cerca de R$ 1.500,00, mas tinha também terceirização das vendas, que podiam chegar a R$ 3 mil por casa”, explica a delegada Rosely Aparecida Molina, responsável pelas investigações. Ela ainda explica que, provavelmente, oito pessoas serão indiciadas por estelionato e formação de quadrilha.
Em janeiro deste ano, a delegada Molina instaurou inquérito para investigar as vendas ilegais de imóveis feitas em nome da Agência Estadual de Habitação. Ainda não há data para terminar, mas se espera que, ao menos no final de julho, o inquérito seja terminado. “Não há como saber, já são nove volumes e um trabalho muito árduo”, diz a delegada.
O apontado como chefe da quadrilha é Ademar Mariano, e deve ser indiciado por isso. Ele já tem ficha suja por conta de outros crimes nos mesmos moldes e está preso em Aquidauana (cidade distante 125 quilômetros a oeste da Capital).
Entenda o caso
O caso foi descoberto quando Mariano foi parado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em março na rodovia BR-262 por dirigir sem habilitação.
Mariano chegou a dizer que a delegada Rosely era a mandante de toda a organização. Ela inclusive foi afastada temporariamente das investigações, mas retornou.
O nome do deputado federal Vander Loubet (PT) foi colocado como mentor de todo o esquema por Mariano. O parlamentar estaria, segundo afirmou Mariano, querendo de alguma forma prejudicar o senador Delcídio do Amaral (PT), tentando envolver seu nome no crime.
Mariano teria oferecido casas a pessoas vinculadas ao PT e dizia, conforme ele e a Polícia, que o senador é quem facilitava a aquisição. Na época em que o caso veio à tona, Mariano teria dito ainda que faturou, sozinho, cerca de R$ 100 mil com o golpe.
“Nenhum dos envolvidos é pessoa pública, um político ou um funcionário público, segundo apuramos”, afirma a delegada Rosely Molina.
