Uma equipe do MPI (Ministério dos Povos Indígenas) esteve em Coronel Sapucaia, a 381 quilômetros de Campo Grande, para ouvir familiares e testemunhas sobre o assassinato do vice-cacique da Aldeia Taquaperi, Givaldo Sanches, de 40 anos.
O líder indígena morreu na noite de sexta-feira (1º), às margens da MS-289, nas proximidades do local conhecido como “Chapeuzinho”, entre Coronel Sapucaia e Amambai. Segundo informações, dois homens em uma motocicleta foram até a residência de Givaldo e perguntaram por ele pouco antes do crime.
Acervo da família
Givaldo da Silva Gomes; Liderança indígena foi atacada na região de fronteira entre MS e Paraguai
Naquela noite, o vice-cacique Guarani Kaiowá havia saído de moto para buscar o irmão na rodovia e, minutos depois, foi assassinado com um tiro na cabeça.
De acordo com o ministério, Givaldo havia assumido o cargo em 3 de janeiro e deixa esposa, seis filhos e um neto. No dia seguinte ao crime, a comunidade indígena bloqueou a MS-289 em protesto. A Polícia Militar foi acionada, negociou com o grupo e a via foi liberada no fim da manhã.
Ainda durante o fim de semana, equipes do MPI e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, realizaram escuta qualificada com familiares e testemunhas. No local, os indígenas cobraram a prisão dos responsáveis e o fim dos assassinatos de lideranças.
Em 2025, outros dois vice-caciques, Samuel Kaiowá e Lúcio Kaiowá, também foram mortos.
A presença do ministério tem como objetivo encaminhar medidas emergenciais de segurança para a Aldeia Taquaperi. Entre as solicitações da comunidade estão a instalação de iluminação na rodovia, construção de passarela, implantação de câmeras de vigilância e radares de controle de velocidade.
Representantes da Assembleia Geral Aty Guasu, que integra a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), afirmam que Givaldo cobrava investigações sobre o atropelamento de dois indígenas nas últimas semanas. Ele também teria apreendido drogas dentro da aldeia recentemente.
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