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Justiça Quinta-feira, 28 de Maio de 2026, 18:21 - A | A

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Operação Janus

Operação do Gaeco mira policiais militares suspeitos de ligação com tráfico em Mato Grosso do Sul

Investigação aponta associação de agentes da PM com traficantes em Ribas do Rio Pardo

Elaine Oliveira
Capital News

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), deflagrou na manhã desta quarta-feira (28) a Operação Janus, que investiga policiais militares suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas em Ribas do Rio Pardo.

Segundo o MPMS, a investigação teve início nos primeiros meses de 2025 após denúncias encaminhadas à Promotoria de Justiça do município. As apurações apontam que policiais militares ligados à 13ª Companhia Independente da Polícia Militar teriam se associado a traficantes locais para atuar no comércio ilegal de entorpecentes.

O trabalho investigativo durou cerca de 14 meses e revelou que os agentes públicos protegiam criminosos parceiros, permitindo a comercialização de drogas e, em alguns casos, utilizando violência contra rivais dos traficantes.

Ainda conforme a investigação, os policiais também forneciam entorpecentes para revenda, recebendo posteriormente parte dos lucros obtidos com o tráfico. Parte das drogas comercializadas teria sido desviada de apreensões realizadas pela própria polícia durante flagrantes.

O Ministério Público aponta ainda que algumas informações utilizadas em operações eram repassadas pelos próprios traficantes ligados ao esquema criminoso.

Além do envolvimento com o tráfico, a investigação identificou indícios de atuação de alguns policiais em práticas de agiotagem e cobrança de dívidas, utilizando ameaças contra devedores e se valendo da condição de agentes da segurança pública.

A operação cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo.

A ação conta com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Segundo o MPMS, o nome “Janus” faz referência ao deus romano de duas faces e simboliza a dualidade identificada na investigação, em que os policiais exerciam função pública enquanto, nos bastidores, atuavam de forma criminosa.

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