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Terça-Feira, 28 de Junho de 2022, 19h:15
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Lar de grandes histórias

Por Rosildo Barcellos*

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Os primeiros dados sobre “Santo Antônio de Campo Grande”, datam de 1870, quando, devido à guerra da Tríplice Aliança, chegaram em alvíssaras, a notícia aos moradores do Triângulo Mineiro (Monte Alegre) da existiam terras férteis para lavoura e criação de gado no então chamado Campo de Vacarias. Esta notícia foi efusiva para José Antônio Pereira, que estava à procura de uma “gleba” da qual pudesse acomodar sua gente. Assim, no dia 21 de junho de 1872, acampou nas terras onduladas da Serra de Maracaju, na confluência dos córregos Prosa e Segredo / Horto Florestal.

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Rosildo Barcellos

 

Nas proximidades, José Neponuceno já possuía um rancho à beira do trilheiro, por onde boiadeiros passavam para ir até o Município de Nioaque (a Sul) e Camapuã (ao Norte). Em 14 de agosto de 1875, José Antônio Pereira completa com sua esposa e seus oito filhos e escravos.No local do primeiro rancho encontraram Manoel Vieira de Souza e sua família, onde dá origem a primeira geração de Campo-grandenses.No final do ano de 1877, cumpre sua promessa e termina a primeira igrejinha rústica de pau-a-pique com telhas de barro.

 

As casas naquela condição, formaram a primeira rua, a Rua Velha/ 26 de agosto (atual), que terminava num pequeno lago, de onde se ensaiava uma bifurcação, formando mais duas vias. José Antônio Pereira havia construído sua casa na ramificação de baixo, em sua fazenda Bom Jardim. O nosso fundador veio a fenecer cinco meses depois da emancipação. Em 1879 surge novas caravana de mineiros que vão distribuindo-se através de marcações de posses, estabelecendo assim as primeiras fazendas da região de Santo Antônio de Campo Grande. O povoado cresce e prospera com o comércio de gado, proporcionado pelo estabelecimento das fazendas de criação em suas imediações e nos campo limpos de Vacarias. Torna-se um centro de comercialização de gado, de onde partiam comitivas conduzindo boiadas para o Triângulo Mineiro e o Paraguai. Com a construção da estrada boiadeira, por Manoel da Costa Lima, as boiadas passaram a dirigir-se também para São Paulo, abrindo novo mercado para o gado da região e novas oportunidades de intercâmbio comercial.

 

Outro fator de progresso para Campo Grande e para o Estado de Mato Grosso, foi a chegada da Estrada de Ferro da Noroeste do Brasil, em 1914. A feira Central criada a 4 de maio de 1925, ficou quarenta anos na Abrão Júlio Rahe, antes de ir para a Esplanada Ferroviária. Em contrapartida chegamos a 1930 com 12 mil habitantes, três agências bancárias, correios, água encanada, luz elétrica e clubes recreativos. Outrossim, em 1932, os munícipes ficaram sabendo, ficou sabendo da deflagração da Revolução Constitucionalista. A notícia espalhou pela população que se viu frente ao seu primeiro desafio: que lado tomar na refrega. Coube aos políticos e coronéis da época a decisão de romper de vez com o poder, e unir-se a São Paulo contra tudo e contra todos. Declarou-se aqui um Estado independente, tendo como capital Campo Grande. Escolheu-se como governador o renomado médico Vespasiano Martins, instalando-se o palácio do governo no prédio da Maçonaria, de onde partiam as decisões e o planejamento do combate às forças legalistas. A capital do Estado, Cuiabá, recebia maior influência de Goiás, Rio de Janeiro, Paraná e parte de Minas Gerais, continua legalista. Campo Grande, deste modo, torna-se a Capital do Estado de Maracaju, concretizando um anseio já manifestado desde o início do século. E viva Santo Antônio de Campo Grande.

 

 

*Rosildo Barcellos
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