Imaginem um cidadão que atravessou a rua, fora da faixa de pedestre, recebendo o apito do guarda de transito e este bradando! Ei! Pare aí, vou ter que lhe multar!
Conseguem conceber uma cena assim? Pois bem, agora está regulamentado pelo DENATRAN e o CONTRAN através da Resolução 706/2017 os procedimentos de autuação. Isso deve se dar basicamente pela abordagem e anotação de dados do infrator, uma vez que até agora ninguém falou em emplacar pessoas! Daí seria mais fácil. Ao sair de casa todo dia, você incluiria o numero de sua placa, pendurada em algum lugar no seu corpo. Um acessório indispensável.
No transito com carros e motos, geralmente é mais fácil a execução desse tipo de fiscalização. Não dá para sumir com um carro! Escapar de uma blitz é tarefa muito difícil e tentar fazê-la, automaticamente só piora a situação. Dependendo da infração, o guarda de transito não precisa nem dar bom dia ao infrator! Tudo se resume a anotação de dados da placa do carro ou da CNH do motorista. Para executar esta Resolução, será preciso um nível de educação e obediência dos pedestres que não se percebe hoje.
O que faz as autoridades de transito pensar que os pedestres infratores, vão cordeiramente obedecer a ordem de parar e passar todos os dados, sem resistência, para receberem suas multas em casa? Caso se neguem, o que será feito? Serão presos? Quem faria essa prisão? Teria um efetivo policial só para enquadrar os pedestres? Enfim, regulamentaram mais uma maneira de fazer dinheiro, na infalível indústria de arrecadar, mas esqueceram que na pratica isso será muito difícil de executar, principalmente nos grandes centros urbanos. Ou então, a cena de guardas de transito correndo atrás de pedestres serão uma constante.
Quem atravessa a rua fora da faixa, assume o risco do seu ato e ponto final! É evidente que o pedestre sempre leva a pior nesta disputa quando as regras não são obedecidas. Mas acredito que pode haver outras maneiras mais eficazes de educar para o transito, sem que isso seja por meio de mais uma lei que tende a cair em descredito. Há toda uma geração que não vai mudar de atitudes, mesmo com a ameaça de ser multado. Acredito que campanhas com casos reais, tenham efeito muito mais prático na mudança de conduta, do que essa indústria desvairada de multas.
É preciso preparar as novas gerações para uma relação de respeito mutuo no transito. Mas antes, é preciso que os governantes ofereçam a segurança necessária, que vai muito além de uma faixa no chão. É preciso definir espaços exclusivos, melhorar e diversificar as opções de transporte público num todo. Começar a multar pedestres é trazer mais um inimigo para o campo de batalha chamado Transito Brasileiro, e gerar apenas mais confusão.
*Autenir Rodrigues de Lima
Assist. de Planejamento e Controle
Jateí-MS
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