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ENTREVISTA Domingo, 15 de Dezembro de 2013, 07:11 - A | A

Domingo, 15 de Dezembro de 2013, 07h:11 - A | A

Secretário convoca população para ajudar no combate à dengue para evitar nova epidemia

Samira Ayub - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Mato Grosso do Sul sofreu no início deste ano com o maior número de casos de dengue em todo o país. Foram 42.015 notificações da doença contra 865 em 2012, correspondendo a um aumento de 4.757%. A incidência da doença que era de 34,5 pra cada 100 mil habitantes em um ano passou para 1.677,2. Em Campo Grande, o cenário não foi diferente, e a Capital passou por uma das mais severas epidemia de dengue que resultou em 12 mortes. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) já intensificou ações no combate à doença desde o mês de outubro, mas Ivandro Corrêa Fonseca, titular da pasta, alerta que se a população não fizer a sua parte e cuidar do seu quintal, as ações públicas não serão suficientes para evitar outra epidemia.

Ivandro assumiu a secretaria no início do ano, foi um dos primeiros nomes anunciados pelo prefeito Alcides Bernal (PP) para compor seu secretariado. Empreendeu um levantamento três meses antes de assumir a secretaria para elaborar diretrizes para a saúde municipal e, segundo ele, já era prevista uma epidemia da dengue em Campo Grande.

Corumbaense, casado, pai de uma menina de três anos, Ivandro é graduado em Administração de Empresas com pós-graduação em Administração Hospitalar pela Universidade São Camilo (RJ), em Gestão de Saúde, e especialista em Elaboração e Análise de Projetos. Com 15 anos de experiência em saúde pública, já atuou como diretor da Santa Casa, Ivandro ainda encontra tempo para exercer outro ofício, professor universitário.

Nesta entrevista, o secretário municipal revela que a saúde municipal tem inúmeras dificuldades, aponta projetos que podem melhorar o atendimento na atenção básica de saúde, como a regionalização da saúde e aposta na prevenção. Mas, Ivandro alerta para que a população seja consciente e faça sua parte no combate à dengue, com medidas simples, do contrário, as ações públicas para eliminar o mosquito Aedes aegypti não serão suficientes.

Capital News: No ano passado, Campo Grande sofreu com uma epidemia severa de dengue. Quais são as medidas para conter uma nova epidemia?

Ivandro Corrêa: Primeiro foi feito um planejamento, antes de assumir a secretaria, houve um estudo sobre os quatro distritos sanitários em Campo Grande para analisar a situação epidêmica. Houve uma preparação, uma definição de ações. De um mês para o outro houve uma redução significativa, de quase 50%. No mês de janeiro tivemos 23.422 casos notificados, em fevereiro caiu para 13.306, em março caiu 5.014 e em maio para 1.141. Um dos pontos levantados é o fato de que havia algumas regiões que concentravam um alto índice de casos, e de que 92% das casas estavam com larvas do mosquito.

Capital News: A doença está controlada hoje ou ainda corremos risco de enfrentar nova epidemia?

Ivandro: Costumo falar que planejamento é decidir antecipadamente o que vai acontecer. É preciso entender que em 2013 encontramos a Sesau sucateada, sem ambulâncias, sem veículos, com 68 micro áreas descobertas. Falta de profissionais, não havia veículos para borrifação e sem condições nenhuma de intervir naquela situação. A maior dificuldade, sem dúvida, era a falta de condições, mas o segundo problema estava na própria população, como eu disse antes, encontramos 92% das casas co m focos do mosquito. Intensificamos as ações e houve uma queda, hoje ainda temos 77% das residências com larvas. Recebemos, neste ano, em torno de R$ 5 milhões para fazer as ações preventivas, contratação de servidores, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermeiro. Adquirimos mais de 20 veículos, de bombas para borrifação, e houve a cobertura das 68 áreas descobertas. Hoje, já estamos com veículos nas ruas, por meio de cronograma, desde o mês de outubro. Os agentes estão visitando as casas, mas com o objetivo específico de combater a doença. Estávamos em situação de emergência, caímos para situação de risco e hoje estamos em situação de alerta.

Capital News: Quais são as mudanças que a secretaria irá implantar para melhorar a saúde pública?

Ivandro: A proposta, no primeiro momento, é dar continuidade ao formato de regionalização da saúdem para ter mais resolutividade. Protocolamos o projeto no Ministério da Saúde com a proposta de regionalização para Campo Grande. Dentro dessa regionalização está a construção de três novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nas quatro regiões, norte, sul, oeste e leste. No Coronel Antonino a previsão é de 200 mil pessoas beneficiadas, no Universitário cerca de 100 mil, Moreninha pode beneficiar 202 mil pessoas. No Leblon 202 mil, no Santa Mônica 105 mil. Serão beneficadas, no total, 913 mil pessoas. Com o novo formato de regionalização, os UPAs que darão cobertura em todas as regiões da cidade, terão uma estrutura para contra-referência, que são as Unidades Básicas de Saúde da Família. Não vamos deixar os pacientes sem atendimento e esse novo formato entra a rede hospitalar. Em Campo Grande, os hospitais se concentram na área central. Na área oeste temos o Hospital Evangélico e da Base Aérea, na região leste temos o Hospital da Mulher, e na região sul o São Julião e Santa Marina.

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Uma das propostas para a saúde municipal está na regionalização da rede de atendimento
Foto: Deurico/Capital News

Capital News: Como fica o atendimento nos Upas e qual o valor do investimento para a saúde?

Ivandro: Em relação ao UPA Cel. Antonino, já buscamos a habilitação e qualificação e agora o que buscamos é a certificação do Ministério da Saúde, algo inédito para o município. Já conseguimos a habilitação e qualificação, a publicação deve sair agora em dezembro ou início de janeiro, e será retroativo. Com isso serão mais de R$ 20 milhões para o município. Agora queremos organizar para as cidades próximas, que as vezes procuram Campo Grande para atendimento, e para isso, devemos estar organizados e com protocolo definido, como cidades como Bandeirantes, Jaraguari, eles já procuram de maneira muito espontânea, desorganizada e não conseguíamos dar vazão. Agora teremos regiões de referencia, por exemplo, no Cel. Antonino, Bandeirantes, Jaraguari, Figueirão, Paraíso das Águas, Chapadão do Sul que são cidades mais próximas dessas saídas, quem vir dessas cidades não vai precisar mais atravessar a cidade toda para ser atendido. Isso é regionalização e não dá para falar em saúde pública sem organização, estamos organizando para ter condições em atender a todo mundo. E estamos colocando em prática, os três novos Upas estão sendo construídos e devem ficar prontos até o final de 2014, mas nesse formato como não temos essas três unidades agora, criamos o Terceiro Turno, o plano de prevenção de combate à dengue, o projeto Equipe Móvel, que reduziu o tempo de espera de oito horas por uma consulta com especialista para 30 minutos. Mais de um milhão de usuários foram atendidos em nossas unidades de emergência e urgência, mais de 150 mil pacientes atendidos pela Equipe Móvel, houve um aumento de quase 25% no atendimento em geral, em relação a 2013.

Capital News: Em quase um ano à frente da Secretaria Municipal de Saúde, o que já foi feito em Campo Grande?

Ivandro: Implantamos o Consulta Única, que é uma consulta integrada com resolutividade. Trouxemos essa experiência de um projeto de oncologia de Milão, na Itália. Campo Grande é o único município do Brasil que possui esse projeto. São propostas que implantamos para atender melhor a população. O Consulta Única surgiu pra desenvolver ações de prevenção em prol da saúde da mulher, identificamos uma incidência de morte de mulheres de câncer de mama e colo de útero, devido a dificuldade em realizar exames, consulta, ir a outra unidade para fazer a punção. Observamos que seria possível disponibilizar todos esses procedimentos em um dia.

Capital News: São medidas preventivas e não curativas. Esse é modelo adotado?

Ivandro: Sim, estamos implantando o modelo preventivo, porque o modelo curativo ou hospitalocêntrico é caro, nosso orçamento está comprometido em 89% no modelo curativo e hospitalocêntrico, diagnósticos e parte hospitalar, e estamos começando a focar na atenção básica. A abertura do Terceiro Turno é atenção básica, a Consulta Única é atenção básica. A equipe móvel atende mais de 150 mil pacientes, os Upas atenderam mais de 20% em relação a anos anteriores, são mais de um milhão de pessoas é um impacto e não houve nenhum valor a mais. Abrimos o Terceiro Turno, Consultório na rua, que atende moradores de rua. Com o terceiro turno e o Fila Zero já realizamos mais de 20 mutirões. Mais de 17 mil pessoas foram beneficiadas pelo programa. Temos um dado total de consultas únicas, atendemos mais de 27.335 pessoas no período de junho a novembro, e foram realizados mais de 127 mil procedimentos ambulatoriais, é indicadores do projeto terceiro turno.

Capital News: No início do ano houve falta de medicamentos na rede municipal. Isso já foi resolvido?

Ivandro: No dia 19 de dezembro de a gestão anterior fez o cancelamento da compra de todo material e de toda a medicação, para ter uma ideia eu peguei um estoque zerado, em uma epidemia da dengue, sem condições nenhuma. Era uma compra de R$ 15 milhões de reais, existe a lei 866 que estabelece modalidades de compras ou é por pregão presencial ou por carta de compra, eu não posso gastar como se fosse meu dinheiro, existem regras para isso. Aquela decisão reflete até hoje, já conseguimos avançar bastante e hoje estamos com 73% do nosso estoque. Ainda está faltando medicação porque o cancelamento foi efetivado e eram 16 processos e cada processo leva uma média de quatro meses para tramitar. Eu sei o prejuízo que gerou para a população e isso não é confortável mas não fomos nós que provocamos.

Capital News: A população ainda não está consciente do seu papel no combate á dengue?

Ivandro: É muito importante entender que a população precisa ter consciência que o grande inimigo mora no seu quintal. A perda de um ente querido por causa de um mosquito é algo muito lamentável, e ninguém quer isso, mas é importante saber que o maior inimigo está nos recipientes com água, com caixas abertas, com depósitos de água parada. Se a população não estiver consciente e tirar 15 minutos diários para eliminar esses focos, limpar seus terrenos, uma nova epidemia pode acontecer, mesmo com todas as ações de combate. Por isso, pedimos para que a população abrace essa causa, faça sua parte. Aqui mora as pessoas que amamos e a família tem que ser preservada, não podemos permitir que um mosquito tire alguém de nossa família. Estamos trabalhando estrategicamente, mapeamos onde estão concentradas as maiores área de incidência da dengue, e quanto aos terrenos sujos vamos gerar autos de infração para notificar os donos de terrenos, que serão notificados para em 48 horas limparem seus terrenos, do contrário, serão multados.

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As ações foram intensificadas desde o mês de outubro para conter uma nova epidemia
Foto: Deurico/Capital News

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viviane 28/12/2013

convoco o senhor secretario para começar a limpar os posto de saúde ,pois o mato alto e água parada ria mosquito também principalmente no aeroitalia

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1 comentários


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