Após nove meses de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca, o governo Federal encerrou o período de incentivos à economia brasileira em 31 de janeiro. Com o término, a alíquota dos fogões volta para 4%, geladeiras 15% e máquinas de lavar 20%.
Para não ter prejuízos, muitos consumidores aproveitaram as promoções do fim de ano e trocaram os eletrodomésticos. No entanto, quem não pode fazer isso, não precisa se desesperar. Segundo os gerentes de lojas de Campo Grande, o aumento ainda não foi repassado aos consumidores, pois há mercadorias de estoques antigos nos estabelecimentos, que foram compradas com a redução do IPI.
O gerente de eletrodomésticos da rede Pernambucanas da Capital, Magno Cardoso, diz ao Capital News, que as vendas do setor em 2009 foram ótimas devido à redução do imposto, com aumento de 30% nas vendas. “A expectativa é que o consumidor dê uma parada nas compras, assim que ele ver a diferença nos preços, já que dependendo do valor do produto a redução dava um bom desconto”, afirma.
A vendedora Daniela Suzuki Ramires diz que muitos clientes foram às lojas no dia 31 para fazer compras, com medo do fim do desconto. “Os clientes ficam perguntando até quando vai, quanto que vai aumentar.” Segundo Daniela, os consumidores da loja não reclamaram, por enquanto, porque os valores ainda não foram repassados.
O gerente regional da City Lar, Thales Silva, explica que o consumidor não sentiu no bolso a mudança porque a loja possui estoque para cerca de 15 dias. “Os preços não foram repassados porque é estoque antigo." Porém, coloca um alerta: "Quando a indústria mandar os produtos novos, aí, já vem com a nova tabela.”
Silva afirma ao Capital News que as vendas no setor aumentaram até 40% com a redução de IPI e lamenta o governo não prorrogar a medida. “No final de ano faltou produtos, porque a indústria não conseguia repor devido ao mercado aquecido. Agora, a indústria vai sentir a queda das vendas, quando colocar produtos novos no mercado.”
Para os consumidores, o que resta é fazer a famosa pechincha. De olho em uma geladeira, fogão e um tanquinho, Arides Moura diz que vai verificar qual loja faz um pacote de promoção. Segundo ele, como foi medida de crise a redução pode até acabar, o que precisa é a indústria baixar os preços. “Ela tem margem para isso, melhor vender mais barato, que não vender”, afirma.
De olho na vitrine, Olga Iria Balan Sacco comenta que os preços já estão maiores com relação ao fim de ano. “Tinha que continuar a redução, vai doer no bolso de todo o mundo. A minha vizinha me disse ontem, que a geladeira dela já está R$ 100 mais caro."
Descontos
Após a crise econômico-financeira que abalou boa parte do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu reduzir o valor cobrado pelo IPI de alguns produtos para que o preço repassado aos clientes das lojas fosse diminuído e eles pudessem continuar comprando para que o País. não sofresse com uma provável retração – quando a econômia não cresce ou fica estagnada.
Carros, móveis e eletrodomésticos entraram na medida. Os veículos e móveis tiveram suas alíquotas retornando ao normal no ano passado. Mas, a chamada linha branca (fogões, geladeiras e lavadoras tiveram a redução postergada).
A minimização do IPI sobre a linha branca levou em consideração o consumo de energia elétrica de cada equipamento. No caso dos fogões, por exemplo, os que possuem selo A do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) – que gastam menos energia – passaram a 2%. Antes eram comercializados a 4%. Quanto às geladeiras, caiu para 5%, sendo que antes era de 15%. As máquinas de lavar, teve queda pela metade, de 20% para 10% para aquelas que utilizam menos energia.(modificado às 15:39 para acréscimo de informações)
Por: Nadia Nadalon-estagiária - (www.capitalnews.com.br)

