Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008, 09h:14 -
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Para reduzir preço, pão francês terá receita alterada
Jefferson Gonçalves - Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)
Um projeto, que visa diminuir a dependência do Brasil à importação de trigo, foi aprovado no Congresso e deve ser sancionado pelo presidente Lula, nos próximos dias. A mistura com farinha de mandioca é obrigatória apenas para as compras do setor público.
A farinha de trigo vai ganhar mandioca e o sabor pode não ser mais o mesmo. Essa medida já está provocando confusão. Para ficar no ponto, o pão tem que ser feito com uma boa farinha de trigo, um ingrediente que o Brasil precisa importar. Ao todo, 75% vêm de fora.
Para diminuir essa dependência, a farinha de trigo deve passar a ser misturada com fécula de mandioca. Um projeto aprovado pelo Congresso prevê uma mistura de até 10% do produto.
“Dá certas alterações no desenvolver da massa. Isso muda a característica crocante do produto”, afirma José Nascimento, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Alimentação de Brasília (Siab).
Prefeituras, estados e governo federal ficam obrigados a comprar pães, biscoitos e massas feitos com a farinha misturada. Na iniciativa privada, usa quem quiser. Os moinhos que aderirem à novidade se livram de alguns impostos. “Se fosse bom, não precisaria ser obrigatório. Todo mundo adicionaria ou misturaria farinha de mandioca à farinha de trigo”, rebate o dono de um moinho, Roland Guth.
Os defensores da lei argumentam que a mistura não altera o sabor dos produtos feitos com farinha de trigo, mas muitos cozinheiros discordam. “Se há mistura, vai se sentir um gosto pequeno da mandioca. Alguma coisa sente, sim. Eu sou tradicional. Prefiro continuar com trigo”, diz o dono de uma padaria, Carlos Eduardo Freitas.
Em uma pizzaria, a farinha misturada não vai chegar perto das massas. “Eu acho que não trocaria, porque está tão bom assim. Para que mudar?”, pergunta o dono de uma pizzaria.
Quem já usou a farinha adicionada no pão diz que ele fica um pouco diferente, mas não custa experimentar. “A gente tem que primeiro fazer um teste e ver com os consumidores o que eles acham dessa novidade”, comenta a engenheira de alimentos Júlia Leitão. (Com informações do G1)