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Economia Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010, 12:54 - A | A

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010, 12h:54 - A | A

Dólar tem queda menos acentuada do que o esperado

Da Redação - (ME) - (www.capitalnews.com.br)

O dólar segue registrando queda não muito acentuada. Há pouco, era transacionado a R$ 1,712 na compra e a R$ 1,714 na venda, desvalorização de 0,34%.

No mercado futuro, o contrato de outubro negociado na BM&F registrava desvalorização de 0,60%, a R$ 1,715.

O diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter, diz que o dólar deveria estar caindo mais, neste momento. Não apenas por conta da capitalização da Petrobras, mas também devido ao cenário externo. Hoje o dólar está perdendo para moedas no mundo inteiro. O euro, por exemplo, registrava, há pouco, valorização de mais de 1% ante a moeda americana, no patamar de US$ 1,34.

Segundo ele, não se observa um fluxo muito forte de recursos para o país neste momento, como era esperado, apesar da operação da estatal petroleira. Vale lembrar que, ontem à noite, saiu o aguardado preço de emissão dos ativos no âmbito da oferta primária da estatal.

O motivo para tal pode ser o fato de parte do dinheiro já ter entrado no Brasil. 'Se tivesse muito dinheiro coisa para entrar ainda, haveria mais pressão para a queda do dólar hoje', diz. 'Não há uma força vendedora hoje, apenas uma forte equalização com o que está acontecendo com o dólar lá fora'.

Ele lembra ainda que houve uma significativa redução das posições vendidas de estrangeiros no mercado futuro, nas últimas sessões. 'Hoje, essas posições devem estar diminuindo mais'.

Por conta desses fatores, Walter não acredita que o dólar ultrapassará R$ 1,70. Ele lembra que tanto os leilões diários de compra de dólares no mercado à vista quanto os alertas verbais do governo - que avisou que não deixará a moeda americana derreter - estão surtindo efeito.

O sócio da Beta Advisors, Rodrigo Menon, no entanto, opina que, até o fim do mês, o dólar romperá a barreira de R$ 1,70, uma vez que, após o encerramento da capitalização da Petrobras, o fluxo de recursos para o Brasil continuará alto, pressionando a moeda americana para baixo.

'Mais empresas irão ao mercado captar recursos. As ações dessas companhias devem se valorizar e impulsionar o Ibovespa. Devemos ter um rali na Bolsa, no fim do ano, o que atrairá ainda mais capital estrangeiro ao país', prevê. Segundo Menon, o que impede a queda do dólar, por enquanto, é a aparente 'obsessão do governo em não deixar o preço ultrapassar R$ 1,70', para defender a indústria.

Hoje o mercado digere a notícia de alteração na metodologia de cálculo da Ptax, taxa média do interbancário que serve de referência para grande parte das operações. A taxa, que é hoje calculada pela média ponderada das cotações do dia, passará a ser calculada com base em quatro consultas diárias às 14 instituições credenciadas como dealers do mercado de câmbio. A nova metodologia passa a vigorar em 1º de julho de 2011.

O diretor de Política Monetária do BC, Aldo Luiz Mendes, explicou que o objetivo é tornar o mercado de câmbio brasileiro mais transparente. Ele não relacionou a mudança à pressão de queda sobre o dólar.

Uma das consequências, em seu ponto de vista, será o aumento dos volumes movimentados no mercado à vista. Isso porque, segundo ele, as operações se dão de forma casada. Qualquer operação no mercado à vista, que movimenta cerca de US$ 2 bilhões, é travada no mercado futuro, que movimenta cerca de seis vezes mais do spot.

Na opinião de Menon, a mudança vai acabar com a volatilidade na cotação do dólar típica de fim de mês, por conta da formação da Ptax. 'Essa volatilidade não é saudável para o Banco Central, para ninguém', diz.

Entre os indicadores do dia, o Departamento do Comércio americano divulgou que as encomendas de bens duráveis recuaram 1,3% em agosto. O resultado desapontou analistas do mercado, que esperavam queda de 1%. Em julho, tinha sido registrada uma alta de 0,7%.

Excluindo o grupo transportes, os pedidos subiram 2% em agosto, percentual acima do consenso do mercado.

Os agentes também analisam a notícia de que as vendas de casas novas nos EUA não registraram alteração de julho para agosto, mantendo a marca anualizada ajustada sazonalmente de 288 mil unidades, mas declinaram 28,9% em relação a agosto de 2009, quando a leitura correspondeu a 405 mil residências.

Em Wall Street, os investidores repercutiam os dados divulgados nesta manhã e os índices Dow Jones e S&P 500 tinham alta de mais de 1,6%, há pouco.

Na Europa, o Instituto Ifo informou que a confiança dos empresários da Alemanha subiu novamente, em agosto. Trata-se do quarto mês de alta.

Os investidores também souberam hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) da França registrou crescimento de 0,7% no segundo trimestre, depois de avançar 0,2% nos três meses antecedentes, segundo a agência de estatísticas Insee. Inicialmente, a estimativa era de uma expansão de 0,6% da economia francesa entre abril e junho.(Fonte: Valor Online)

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