Em entrevista ao programa Tribuna Livre da FM Capital, por telefone, na manhã de hoje, o senador Delcídio do Amaral (PT) disse que acreditava que poderia “navegar em águas tranqüilas”, mas o que está ocorrendo é que com a crise econômica que afeta o mundo “o orçamento da União terá cortes, mas ninguém quer falar cortes”, destacou, dizendo que é uma decisão difícil retirar verbas do orçamento para garantir um fundo contra a crise. Ontem, o senador anunciou corte de R$ 12 milhões no orçamento da União para garantir recursos para uma eventual crise.
Em conversas com o ministro do planejamento Paulo Bernardo, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles e com o ministro da Fazenda Guido Mantega, Delcídio falou sobre a crise e como esta pode afetar o País. “Mesmo que a economia do País esteja mais forte e que apresente menos sinais de complicações, é claro que numa crise mundial, o Brasil vai ser afetado e vai ter um crescimento menor que o projetado”, comentou.
O senador destacou ainda que “tendo um crescimento menor vai ter uma receita menos, se tiver uma receita menor vai ter menos dinheiro e se tiver menos dinheiro vai ter que fazer ajustes na máquina do governo, no custeio, e evidentemente nos investimentos, tirando o PAC e os investimentos na área social”, declarou.
Com relação ao salário mínimo, Delcídio afirmou que o aumento previsto para 2009 será mantido e que medidas provisórias estão garantindo os salários dos servidores.
Emendas
Os parlamentares, conforme Delcídio, buscavam um aumento para R$ 12 milhões nas emendas individuais para projetos propostos, medida que não foi acatada pela comissão de orçamento, que é presidida pelo senador do PT, alegando que “como pode haver aumento num momento de crise?”, salientou.
O senador destacou ainda que o epicentro das crise, os Estados Unidos, passam por uma sucessão presidencial e por uma série de outras questões que complicam o quadro econômico mundial. “Só com o ajuste dos Estados Unidos é que poderemos ajeitar as contas”, analisou, destacando que “essa crise só se compara com a grande depressão de 1929”.
