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Economia Quinta-feira, 04 de Setembro de 2008, 14:22 - A | A

Quinta-feira, 04 de Setembro de 2008, 14h:22 - A | A

A indústria e o impulso do consumo

Da Redação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que costumava se queixar da política econômica do governo, principalmente dos juros, apresentou um balanço das atividades do setor no mês de julho que se pode qualificar de entusiástico e que parece refletir a aposta das empresas industriais na continuidade do aumento da demanda doméstica.

Segundo a CNI, o setor apresentou, em julho, crescimento do faturamento real de 9,0% em relação a junho, com 17 dos 19 setores analisados exibindo crescimento; o número de horas trabalhadas cresceu 2,7%, o que se explica, em parte, pelo fato de que houve dois dias úteis a mais do que em junho, notando-se, porém, que as horas trabalhadas, após ajuste sazonal, vêm aumentando por 12 meses consecutivos.

Paralelamente, o número de trabalhadores aumentou 0,6%, com o emprego se expandindo há três anos. A massa salarial teve, em julho, o maior aumento do ano: 3,5%.

O único ponto preocupante é que a indústria de transformação operou no mês, em média, com 83,9% da capacidade instalada, 0,8 ponto porcentual (p.p.) a mais do que em junho. Em termos dessazonalizados, a utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 83,5%, isto é, 0,2 p.p. a mais que em junho.

As autoridades monetárias estão dando grande atenção à UCI, com receio de que possa ocorrer uma defasagem entre oferta e demanda, com repercussão sobre os preços. Parece-nos que se deveria levar em conta, também, o número de horas trabalhadas - cujo aumento indica maior utilização dos equipamentos - e, ainda, a evolução da UCI em comparação com o volume produzido, que mostra que continuam a ser realizados investimentos.

Os dados da CNI nos levam à conclusão de que a indústria continua apostando no crescimento da demanda nesse segundo semestre e, numa visão “fordista”, se apóia em fatos, como a elevação de 5,6% da massa salarial nos sete primeiros meses. Por outro lado, a demanda do governo deve dar um salto no segundo semestre: em julho, as despesas do governo federal aumentaram 22,5% em relação ao mesmo mês de 2007, enquanto no 1º semestre a elevação de gastos fora moderada. No período eleitoral, o governo pretende elevar os investimentos do PAC e as prefeituras aumentam seus gastos. As despesas do funcionalismo sobem e a queda nos preços dos alimentos permite às famílias gastar com outras compras, numa fase em que a desvalorização do real deve favorecer as exportações. (Fonte: O Estado de São Paulo)

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