A dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao centro das discussões econômicas diante do aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. O tema é destaque do Informativo Econômico 02/2026, divulgado pela Aprosoja/MS.
O levantamento mostra que cerca de 84,3% da soja exportada pelo estado tem a China como principal destino. Com isso, qualquer instabilidade envolvendo o país asiático pode provocar reflexos diretos no agronegócio sul-mato-grossense, principalmente na comercialização da safra e nos custos de produção.
Além das exportações, o estudo destaca que o Brasil também depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao mercado internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá, responsável por 14% das importações, Rússia, também com 14%, e China, com 12%.
Segundo a análise da Aprosoja/MS, mesmo sem um conflito direto, o agravamento das tensões geopolíticas pode gerar aumento no frete marítimo, valorização do dólar e elevação nos preços de fertilizantes, defensivos agrícolas e combustíveis utilizados no campo.
O informativo aponta ainda possíveis impactos como aumento dos custos de produção, maior volatilidade nos preços da soja e do milho, pressão sobre o planejamento financeiro dos produtores e encarecimento de insumos dolarizados.
Por outro lado, o material também avalia que o Brasil pode ampliar sua posição como fornecedor estratégico para a China, especialmente em um cenário de redução da dependência chinesa de produtos agrícolas norte-americanos.
De acordo com os analistas econômicos da Aprosoja/MS, Raphael Flores Gimenes e Linneu Borges Filho, o principal desafio para os produtores será acompanhar a relação de troca, o custo operacional e a capacidade financeira em um cenário internacional mais instável e volátil.
O estudo reforça ainda a necessidade de planejamento estratégico no campo diante das oscilações do mercado global e dos impactos geopolíticos sobre o agronegócio brasileiro.
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