O milho segunda safra 2025/2026 segue com bom desenvolvimento em Mato Grosso do Sul, mas o avanço do clima seco e o risco de geadas já colocam produtores em alerta em algumas regiões do estado. Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, aponta que 71,5% das lavouras apresentam boas condições, enquanto 17,8% estão em situação regular e 10,7% em condições ruins.
As melhores condições das lavouras estão concentradas nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste do estado. Na região norte, por exemplo, 92,1% das áreas são classificadas como boas. Já na região oeste, o índice chega a 84,6%.
Por outro lado, as regiões centro, sul, sul-fronteira e sudeste demonstram maior sensibilidade às condições climáticas. Nessas áreas, o percentual de lavouras consideradas ruins chega a 23,8%, principalmente devido à irregularidade das chuvas e ao risco de estiagem e geadas durante o ciclo da cultura.
Na região centro, que engloba municípios como Campo Grande, Sidrolândia e Rio Brilhante, apenas 57,9% das áreas apresentam bom potencial produtivo, enquanto parte das lavouras já registra perdas.
Além da estiagem, produtores também enfrentaram problemas pontuais causados por granizo. Na terceira semana de maio, municípios como Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema tiveram registros de danos em áreas de milho.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é considerado positivo, mas dependerá das condições climáticas nas próximas semanas.
“O cenário do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul é positivo, porém, o produtor precisa manter atenção redobrada às condições climáticas nas próximas semanas. Temos áreas do centro e sul do estado que já demonstram impacto da irregularidade das chuvas, além de ocorrências pontuais de granizo e risco de geadas durante a fase reprodutiva da cultura”, afirmou.
Balta destacou ainda que boa parte das áreas foi plantada dentro da janela ideal, fator que ajuda a sustentar as expectativas produtivas.
“Boa parte da área foi semeada dentro da janela mais favorável, o que contribui para manter o potencial produtivo. Ainda assim, o comportamento climático entre maio e junho será decisivo para consolidar os números projetados para esta safra”, completou.
O levantamento também mostra uma mudança importante no perfil produtivo do estado. Nesta safra, o milho ocupará cerca de 46% da área anteriormente destinada à soja, percentual inferior aos 75% registrados em anos anteriores. A redução está diretamente ligada ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que influencia as decisões de plantio dos produtores.
No cenário meteorológico, os modelos climáticos indicam 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre junho e agosto de 2026, com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre. Entre os impactos esperados estão temperaturas acima da média histórica e maior frequência de ondas de calor.
No mercado, o milho disponível em Mato Grosso do Sul foi cotado em média a R$ 51,14 por saca no dia 18 de maio. Já a comercialização da segunda safra 2026 alcançou 22% da produção estimada até o momento.
A projeção atual do Projeto SIGA-MS estima cultivo em 2,206 milhões de hectares, produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total de 11,139 milhões de toneladas.
• • • • •
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.
• • • • •
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado.

