Mato Grosso do Sul registrou mais de 68 mil hectares irrigados na primeira safra 2025/2026, segundo dados do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc. O levantamento aponta que a soja lidera as áreas irrigadas, com mais de 35 mil hectares na safra de verão, seguida por culturas como arroz, pastagem e cana-de-açúcar.
De acordo com o Programa Estadual de Irrigação (MS Irriga), o Estado já conta com 320.304 hectares irrigados, um crescimento expressivo em relação a duas décadas atrás, quando a área era de aproximadamente 120 mil hectares. Apesar do avanço, o levantamento indica um potencial adicional de até 4,7 milhões de hectares aptos à irrigação, o que poderia elevar significativamente a produção de commodities.
O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, destaca que diferentes regiões do Estado apresentam condições favoráveis para a expansão da tecnologia. Segundo ele, áreas como o Leste e o Cone Sul têm grande potencial de crescimento, especialmente pela disponibilidade de áreas agrícolas e pelas condições adequadas para sistemas irrigados.
Balta cita o exemplo de Três Lagoas, onde a irrigação tem elevado significativamente a produtividade da soja, mesmo em áreas reduzidas de cultivo. “Esse cenário reforça o potencial de expansão da irrigação”, avalia.
Dados do MS Irriga também apontam que a irrigação não se restringe à soja, sendo fundamental para garantir estabilidade produtiva do milho e reduzir os impactos da irregularidade das chuvas. A tecnologia é vista como uma forma de maior previsibilidade na produção agrícola.
O produtor rural e diretor da Aprosoja/MS, Luis Alberto Moraes, o Mandi, destaca que a irrigação permite diversificação de culturas e até a realização de uma terceira safra em propriedades de Maracaju. “A irrigação é importante ferramenta para a gestão do risco climático. Além disso, proporciona novas alternativas para diversificação de culturas”, afirma.
Apesar dos benefícios, ele ressalta desafios como o alto custo de investimento inicial e as despesas com energia elétrica, fatores que ainda limitam a expansão em larga escala.
Em um cenário de maior instabilidade climática, a irrigação é apontada como uma estratégia essencial para garantir estabilidade produtiva, ampliar a segurança do produtor rural e sustentar o crescimento da agricultura em Mato Grosso do Sul no longo prazo.
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