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Agronegócio Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, 09:51 - A | A

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Cotação

Exportações recordes de carne bovina colocam pressão sobre cadeia produtiva em 2026

Dependência do mercado chinês e salvaguardas comerciais exigem novas estratégias de escoamento do produto brasileiro

Elaine Oliveria
Capital News

As exportações brasileiras de carne bovina renovaram recorde em 2025, impulsionadas principalmente pela forte demanda da China, que voltou a ser o principal destino do produto. O cenário, no entanto, acende um sinal de alerta para a cadeia pecuária nacional neste início de 2026, diante da adoção de medidas de proteção comercial pelo país asiático.

Pesquisadores do Cepea apontam que, mesmo com a produção brasileira operando em patamar recorde, a imposição de tarifas e cotas de importação pela China — as chamadas “salvaguardas” — pressiona o setor a ampliar alternativas de comercialização, tanto no mercado externo quanto no interno.

Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 1,648 milhão de toneladas de carne bovina para a China em 2025, volume recorde e 24,6% superior ao de 2024. O país asiático respondeu por 48% de toda a carne bovina brasileira enviada ao exterior no período.

Com as salvaguardas anunciadas, o Brasil terá, em 2026, uma cota de 1,106 milhão de toneladas para exportação à China. O volume que ultrapassar esse limite será taxado em 55%. Considerando o desempenho de 2025, essa cota seria alcançada entre agosto e setembro. Já com base na média de embarques dos últimos quatro meses de 2025, de 175 mil toneladas mensais, o limite poderia ser atingido já entre junho e julho de 2026.

Em termos de preços, a média geral da carne bovina exportada pelo Brasil em 2025 ficou em US$ 5,15 por quilo, alta de 15,42% em relação a 2024. A China pagou, em média, US$ 5,29/kg, avanço de 17,24% no comparativo anual, fazendo de 2025 o segundo melhor ano em preços, atrás apenas de 2022.

Caso as exportações brasileiras atinjam a cota máxima em 2026, a aplicação da taxa adicional de 55% elevaria o valor médio da carne para cerca de US$ 8,2/kg, considerando os preços de 2025. Esse patamar seria inédito no comércio com a China e superior, inclusive, aos valores historicamente pagos por países europeus, segundo análise do Cepea.

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