Fernando Frazão/Agência Brasil

Estudo aponta caminhos para fortalecer rastreabilidade da soja e da carne bovina no Brasil
O Brasil já possui uma estrutura avançada para monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas ainda precisa integrar melhor os instrumentos de rastreabilidade disponíveis. Essa é uma das conclusões do estudo "Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil", lançado nesta terça-feira (28) pelo WRI Brasil.
A pesquisa analisou 21 iniciativas de monitoramento socioambiental — dez voltadas à cadeia da soja e 11 à produção de carne bovina — utilizadas principalmente nos biomas Amazônia e Cerrado. O objetivo foi avaliar a capacidade do país de atender às exigências crescentes dos mercados internacionais em relação à sustentabilidade e à rastreabilidade.
Com base na análise, os pesquisadores elaboraram dez recomendações para aperfeiçoar os mecanismos de controle e subsidiar políticas públicas. Entre as principais propostas estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, o uso de bases de dados oficiais, a verificação do cumprimento do Código Florestal Brasileiro, a ampliação do monitoramento para todos os biomas e a implementação de auditorias independentes com divulgação de relatórios de transparência.
O estudo também recomenda o monitoramento de toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores indiretos, a criação de mecanismos para reintegração de produtores que regularizarem pendências ambientais e a adoção de um modelo de gestão participativa e multissetorial.
Segundo a diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, Mariana Oliveira, o fortalecimento da rastreabilidade pode contribuir para um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável e ampliar a confiança de investidores e compradores internacionais.
A pesquisa destaca ainda a importância da cooperação com grandes mercados consumidores, como a China, que importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina em 2024. Para os pesquisadores, a integração das bases de dados e a harmonização dos critérios técnicos facilitarão a avaliação dos riscos socioambientais pelos países importadores, fortalecendo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.
Para Mariana Oliveira, sistemas eficientes de rastreabilidade vão além do atendimento às exigências comerciais e podem impulsionar inovação, geração de renda, oportunidades para produtores rurais e um desenvolvimento mais sustentável no campo.
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