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Agronegócio Domingo, 04 de Janeiro de 2026, 10:05 - A | A

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Internacional

China impõe cota à carne bovina e acende alerta no agro brasileiro

Restrição vale por três anos, pode gerar perdas bilionárias e mobiliza governo e setor produtivo por solução diplomática

Elaine Oliveira
Capital News

O ano de 2026 começa com um sinal de alerta para a agropecuária brasileira após o governo chinês impor barreiras à importação de carne bovina para proteger seus produtores locais. A medida, válida por três anos, estabelece cotas de importação para todos os países exportadores.

O Brasil recebeu a maior quota: 1,106 milhão de toneladas em 2026, com tarifa de 12%. No entanto, o volume que ultrapassar esse limite será taxado em mais 55%, o que pode elevar a tarifa total para até 67% sobre o valor importado. Em 2025, a China respondeu por quase metade das exportações brasileiras de carne bovina, com compras em torno de 1,7 milhão de toneladas.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já articula uma reação para evitar instabilidade no mercado e prejuízos aos produtores. “Teremos que desembarcar na China nos primeiros dias de janeiro ou fevereiro para continuar a negociação e buscar o mais rápido possível a solução para este modelo produtivo que tem estoque no campo que não pode deixar depositado sem a possibilidade de vender”, afirmou o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da FPA.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliam que a decisão chinesa altera as condições de acesso ao mercado asiático e exige uma reorganização dos fluxos de produção e exportação.

Já a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) alerta que a exportação fora da quota se torna economicamente inviável. “O impacto potencial desta medida pode significar uma perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026, comprometendo o desempenho das exportações do setor, que devem superar US$ 18 bilhões em 2025”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Mustefaga.

O governo brasileiro acompanha o caso desde a investigação aberta por Pequim em 2024. O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém contato com autoridades chinesas para esclarecer detalhes da política, como o enquadramento de cargas já embarcadas. Entre as alternativas estudadas está o aproveitamento de cotas não utilizadas por outros países. “Por exemplo, os Estados Unidos não exportou para China no ano passado. Se não exportar, se a gente pode cumprir a cota de outro país. São negociações que vão ocorrendo”, disse o ministro Carlos Fávaro, ao reforçar que “a relação Brasil-China nunca esteve tão boa e assim vai continuar”.

Principal parceiro comercial do Brasil e destino de cerca de um terço das exportações nacionais, a China é vista pelo governo e pelo setor produtivo como peça-chave para a superação do impasse e para a manutenção da estabilidade do mercado da carne bovina brasileira.

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