Professores de todo o estado de Mato Grosso do Sul, paralisaram suas atividades nesta sexta-feira (10), para uma mobilização que tem como objetivo evitar que investimentos destinados à educação sejam cortados pelo governo federal.
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Professores realizam passeata pelas ruas da capital em dia marcado por protestos e paralisações
De acordo com a Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado (Fetems), 5.000 professores de Mato Grosso do Sul estiveram presentes na praça. Já a agetran contablizou 2.000 pessoas. Ainda de acordo com a organização, 85% das escolas foram paralisadas para o evento e 50 ônibus de todo estado vieram em Caravana.
Entre as pautas do movimento estão o fim do piso salarial inicial de R$ 2100 reais e da hora atividade dos professores, o fim da reforma da previdência e da aposentadoria especial para a categoria, a retirada da obrigatoriedade de recursos para a Educação Pública, a alteração do regime de partilha do pré-sal que destinaria 75% dos seus recursos para a educação e a criação da “Lei da Mordaça”.
Deurico/Capital News
Roberto Botareli, presidente da Fetems
De acordo com o presidente da Fetems, Roberto Botareli, a retirada da obrigatoriedade dos recursos para a Educação Pública é o corte que mais prejudicará a categoria dentre as pautas do movimento. “A desvinculação de 25% dos recursos destinados a estados e municípios, além dos 18% da União destinados a educação, são os cortes mais graves que podem vir a acontecer. Isso é contra a Constituição”, afirmou.
De acordo com Ataíde de Oliveira, professor da rede municipal, os cortes de investimento podem prejudicar principalmente as pessoas que estão em processo de aprendizagem. “Sem investimento, não tem como mover a sociedade, que depende diretamente da qualidade na educação para a formação dos cidadãos desde a base”, explicou.
Para Nelson da Silva, professor da rede estadual, os cortes de investimento podem desmotivar os professores em sua atividade profissional “Questões como o fim da reforma magisterial e a desvinculação dos 25% que devem ser destinados a educação, acabam desmotivando nós professores no exercício da profissão”, lamentou.
Aposentadoria aos 65 anos
A reforma na previdência prevista pelo presidente da República em exercício Michel Temer visa, entre outros fatores, o fim da aposentadoria magisterial. De acordo com Borateli, as novas medidas podem afetar principalmente as mulheres da categoria. “Querem alterar a data da aposentadoria para 65 anos e assim acabar com a aposentadoria especial do professor".
De acordo com a professora Maria Jorge Leite, o número de professoras afastadas com licença pode aumentar. “É um absurdo uma professora que se aposenta com 50 anos de idade e 25 de contribuição, ter que trabalhar 15 anos a mais. Só sabe o que é uma sala de aula quem está dentro dela, lidando com 30 a 40 alunos”.
Após a concentração na praça, os manifestantes saíram em passeata por algumas ruas do centro.
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