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Cotidiano Quarta-feira, 28 de Março de 2018, 10:23 - A | A

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Analistas-tributários

Portaria da Receita Federal reduz fiscalização nas fronteiras

Extinção de plantões noturnos e limites máximos de servidores que devem atuar na Vigilância Aduaneira entra em vigor em abril

Flávio Brito
Capital News

Diário Online

Serviços da Receita Federal são afetados por greve dos auditores fiscais em Corumbá

Portaria é criticada por reduzir número de servidores em serviços estratégicos como é vigilância aduaneira

Um ato administrativo da Receita Federal do Brasil pode tornar ainda mais frágil o controle aduaneiro realizado nos portos, aeroportos e postos de  fronteira de todo o país. No dia 2 de março deste ano, a administração da Receita Federal publicou a portaria nº 310 que  dimensiona os plantões noturnos nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, e estabelece limites máximos de servidores que devem atuar nos plantões noturnos da Vigilância Aduaneira, da Bagagem, do Despacho e da Gestão de Risco. 

 

A medida, que entra em vigor abril e vem sendo duramente criticada pelo Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), fará com que em algumas localidades, à noite, a fiscalização seja reduzida a um servidor.

 

É evidente o reduzido dimensionamento das equipes de plantão noturno nas unidades que realizam o controle aduaneiro do país, incluindo os portos, por onde transitam mais de 90% das importações e exportações brasileiras, adverte o sindicato que representa a categoria.

 

A implementação dos termos expressos na portaria nº 310 evidencia a reduzida

“Presença Fiscal” da Receita Federal que, na grande maioria dessas unidades, está limitada à atuação de um analista-tributário para realizar a Vigilância Aduaneira, despachos e controle de bagagem e demais procedimentos. “Apenas um analista-tributário no plantão noturno dificulta a realização de ações de vigilância aduaneira e aumenta os riscos relativos à segurança do servidor”, afirma o presidente 

 

Outra decisão preocupante para o Sindireceita expressa na portaria nº 310, que contraria inclusive regimes adotados por outros órgãos que realizam controle de fronteira em acordo com suas atribuições legais, como a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, é a extinção do regime de plantão 24/72 horas e sua substituição pelo regime de plantão 12/36 horas.

 

De forma objetiva, a referida Portaria enfraquecerá a “presença fiscal” da Receita Federal nessas localidades que são estratégicas para o controle do comércio internacional e para o enfrentamento de crimes, como o contrabando, o descaminho e o tráfico de drogas, afirmou a entidade que representa os servidores.  De acordo com as informações divulgadas pelo site Diário Corumbaense, em Mato Grosso do Sul, os postos de fronteira em Ponta Porã, Bela Vista e Porto Murtinho não terão plantão de vigilância. Em Corumbá e Mundo Novo, o plantão noturno deverá ser mantido com apenas dois analistas tributários.

 

Na maioria das localidades, excluindo aquelas em que as atividades sequer serão realizadas, o trabalho de vigilância aduaneira, gestão de risco, despacho de bagagem e despacho aduaneiro será realizado por efetivos mínimos, chegando-se ao limite de apenas um  analista-tributário ser destacado para ações que são essenciais e estratégicas para o país.

 

Nos aeroportos de Campo Grande, Porto Seguro (BA), Boa Vista (RR), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Cruzeiro do Sul (AC) não haverá plantão noturno. Em 12 dos principais

terminais, o plantão noturno de vigilância contará com,  no máximo, um analista-tributário.

 

Os únicos aeroportos internacionais  que contarão com, no máximo, 2 analistas-tributários no plantão noturno de vigilância são o aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro (RJ) e o aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas (SP). 

 

De forma objetiva, garante Sindireceita, o controle das fronteiras, dos portos e aeroportos do país, a cada plantão noturno, contará com menos de 150 servidores da  Receita Federal do Brasil para realizar a vigilância aduaneira em 21 postos de fronteira, 21 aeroportos e 21 portos, ou seja, uma média de 1 servidor para cada unidade de fronteira. É com esse efetivo de servidores que aReceita Federal, todas as noites, faz o enfrentamento de crimes, como o contrabando, descaminho, tráfico de drogas e outros crimes. 

 

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