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Cotidiano Terça-feira, 17 de Maio de 2016, 13:12 - A | A

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Ressocialização

“No começo, o preso é mal visto, mas depois, nos veem como seres humanos”

Detentos que reformaram de escola dizem que tratamento muda ao “mostrarem serviço”

Wendy Tonhati
Capital News

Deurico/Capital News

“No começo, o preso é mal visto, mas depois, nos vêem como seres humanos”

Detentos da Gameleira trabalharam três meses em reforma

Quando uma pessoa comete um crime, é presa, julgada e vai cumprir a sua pena, o que se espera é que ela quite o seu débito com a sociedade, saia do presídio ressocializada e não volte a cometer o mesmo ou outro erro. Na prática, sabe-se não é bem isso o que acontece.

Basta olhar o número de presos reincidentes e os que saem dos presídios “pior do que entraram”. Para tentar conter o que deveria ser exceção, mas que se tornou regra, o poder judiciário tem trabalhado em programas para além da punição, o detento deixe o sistema carcerário ressocializado.

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Reformas de escolas por detentos geram economia de R$ 1,7 milhão para o Estado

Alunos participaram da entrega de reforma

Em Mato Grosso do Sul, o projeto “Pintando e Revitalizando a Educação Com Liberdade”, desenvolvido com internos do semiaberto do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, uma das 46 unidades prisionais da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), coloca os detentos trabalhando naquilo que sabem, seja pintando, consertando, levantando parede para fazer a reforma de escolas estaduais, que muitas vezes, nunca passaram por uma reforma desde que foram inauguradas. Nesta terça-feira (17), foi entregue a reforma da Escola Estadual Padre José Scampini, na Coophavilla 2, em Campo Grande. Ao todo, cinco escolas já foram reformada por presos, garantindo uma economia de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos.

O resultado da iniciativa é economia para o Estado, que não paga a mão de obra e nem o material de construção - que sai da conta do salário mínimo que os detentos recebem-, escolas em que os alunos têm gosto de sair de casa para estudar e passar o dia em atividades complementares e detentos que estão acostumados a serem mal vistos pela sociedade, orgulhosos pelo que fizeram pelas crianças e adolescentes. Pessoas que conseguem mostrar que mesmo tendo cometido um erro são confiáveis e competentes.

“No começo, o preso é mal visto, mas depois, nos vêem como seres humanos”.
“No começo, o preso é mal visto, mas depois, nos vêem como seres humanos”. É como resume o trabalho o detento da Gameleira Nilson Benites, 47 anos. Ele já cumpriu dois anos da pena e ainda tem mais cinco meses pela frente. A Escola Estadual Padre José Scampini, é a quinta em que ele trabalha na reforma.

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Reformas de escolas por detentos geram economia de R$ 1,7 milhão para o Estado

Nilson Benites

Benites diz que quando os detentos chegam para trabalhar são olhados com desconfiança, mas que depois, o clima pesado é substituído. Segundo ele, o trabalho “é um meio de pagar à pena e mostrar o que você sabe fazer”. No caso dele, o trabalho de pintura.

O detento Jurandir Barbosa, 31 anos, que já cumpriu dez meses de pena e ainda tem mais três meses, conta que já trabalhava no setor de manutenção da Gameleira, quando o agente responsável pelo setor selecionou quem trabalharia na obra da escola. Ele conta orgulhoso como o trabalho dos detentos melhorou a vida dos alunos. “Eles não tinham condições de estudar. Tinha laboratório que estava sem energia. Aqui tem um time de handball e não tinham como treinar nessa quadra”.

Sobre o que significa ressocialização, Barbosa, diz “que é uma atitude que vem de cada um. Uns querem, outros, não”. O detento também diz que o tratamento que eles recebem dos alunos começa com a desconfiança por serem presos e termina em amizade. “Quando chegamos era um olhar diferente. Quando termina, eles já estão conversando, fizeram uma homenagem para nós, chega a ter novas amizades”. 

Detonada e caótica

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Reformas de escolas por detentos geram economia de R$ 1,7 milhão para o Estado

Aluna diz que escola era 'detonada'

Estudando há três anos na Escola Estadual Padre José Scampini, Jennyfer Ferreira, 14 anos, defini a situação da escola antes da reforma como “detonada e toda rabiscada”, com a reforma, a estudante diz que “dá mais vontade de ir estudar”.

O diretor da escola, Jessier Meneses, definiu a situação do estabelecimento de ensino como caótica, antes da reforma. Meneses diz que conheceu o projeto que utiliza mão de obra de detentos por meio de um professor que trabalha no TJ MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que conversou com o diretor da Gameleira e que não houve receio, por se tratar de detentos.

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Reformas de escolas por detentos geram economia de R$ 1,7 milhão para o Estado

Diretor diz que após reforma, autoestima dos alunos é elevada

“Quando os detentos vieram para cá, não tivemos receio. São pessoas de boa índole, que estão reabilitadas e já fizeram outras escolas”. Sobre a reforma, Meneses diz que aumenta a autoestima dos estudantes e de funcionários. Foram reformados laboratórios de química e física, a quadra poliesportiva entre outros ambientes.

“De segunda a segunda tem alunos dentro da escola. Eles me ligam domingo para pedir que o vigia abra os portões para fazer os ensaios e treinamento. Hoje, a escola vive para a comunidade”.

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