O reservatório da Usina Hidrelétrica Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, está em situação considerada crítica de hipereutrofização, segundo relatório do Imasul. O documento aponta que o excesso de nutrientes favoreceu a proliferação de macrófitas aquáticas, que já ocupam grandes áreas do reservatório.
A fiscalização identificou diferentes fatores relacionados à degradação ambiental. Entre eles estão lançamentos de efluentes da Suzano, problemas na Estação de Tratamento de Esgoto de Ribas do Rio Pardo, atividades rurais e o próprio barramento da usina, que reduz a velocidade da água e facilita o acúmulo de nutrientes.
De acordo com o Imasul, análises realizadas durante a fiscalização encontraram níveis elevados de fósforo em seis dos dez pontos monitorados. Em alguns locais, os índices ficaram mais de 30 vezes acima do limite previsto na legislação. O órgão afirma que os efluentes da Suzano "contribuíram significativamente para o aumento do grau de trofia do ambiente".
A Sanesul também foi citada no levantamento. O relatório aponta que a ETE operava acima da capacidade licenciada e apresentava problemas como falhas operacionais, dificuldade na remoção de lodo e uso de bypass. A empresa informou que medidas corretivas foram adotadas e que uma nova estação de tratamento está prevista para acompanhar o crescimento de Ribas do Rio Pardo.
O Imasul recomendou a redução das cargas de fósforo e nitrogênio lançadas no sistema, melhorias no tratamento de esgoto, conservação do solo em propriedades rurais e ações de manejo das plantas aquáticas. Para a UHE Mimoso, o órgão também indicou a elaboração de um plano para limpeza integral do reservatório e medidas para evitar a repetição do problema.
Em nota, a Suzano afirmou que segue as exigências ambientais e contestou a relação apontada no relatório, dizendo que a carga orgânica lançada ficou abaixo do limite autorizado. A Elera Renováveis informou que realiza monitoramento e remoção das macrófitas, enquanto a Sanesul declarou que mantém ações de manutenção e ampliação do sistema de esgoto. O Imasul considera que o problema tem múltiplas causas e pode afetar a pesca, a navegação, o lazer, a operação da usina e a biodiversidade.
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