Mato Grosso do Sul registrou 650 focos de calor entre janeiro e julho deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o menor número para o período desde 1999, quando começou a ser possível comparar anos completos na série histórica.
O resultado representa uma queda de cerca de 24% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 861 focos. Em 2025, o Estado também teve o menor acumulado anual da série histórica, com 1998 como início dos registros, embora os dados daquele ano só tenham sido contabilizados a partir de junho.
Julho concentrou o maior número de focos deste ano, com 222 registros. Janeiro foi o único outro mês a superar a marca de 100, com 111 focos. A redução ocorre pelo segundo ano consecutivo, após o Estado registrar 13.041 focos em 2024, o segundo maior acumulado da série histórica.
O cenário também reflete a melhora das condições no Pantanal. Até segunda-feira, cerca de 90 mil hectares haviam sido consumidos pelo fogo no bioma. Em 2024, foram 2,8 milhões de hectares queimados, segundo o Lasa/UFRJ. O número só ficou abaixo de 2020, quando 4,2 milhões de hectares foram atingidos.
A chuva tem contribuído para a recuperação do Pantanal, segundo o presidente do Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo. "Neste ano, a despeito dos efeitos que esperamos do El Niño, temos tido momentos de chuva em períodos não comuns", afirmou. Ele também destacou a importância da prevenção e da atuação conjunta das instituições no combate aos incêndios.
A fiscalização também foi reforçada após os incêndios de 2024, com operações, inquérito criminal e autuações do Ibama em cidades do Pantanal. Até maio, as ações administrativas somavam mais de R$ 4,7 milhões. Em junho, o governo de Mato Grosso do Sul decretou estado de emergência ambiental por 180 dias devido à previsão de um super-El Niño e suspendeu a queima controlada em todo o Estado entre 1º e 30 de novembro, com a proibição mantida no Pantanal até 31 de dezembro.
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