Campo Grande acumulou 154 milímetros de chuva nos primeiros nove dias de outubro, volume equivalente a aproximadamente 76% da média histórica mensal de 203 milímetros. Os dados são do Laboratório de Ciências Atmosféricas do Instituto de Física (LCA/Infi) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e mostram que, mesmo com três semanas restantes, a Capital já registrou uma quantidade expressiva de precipitação.
Somente até o fim da tarde de sexta-feira (9), foram contabilizados cerca de 21,5 milímetros de chuva, contribuindo para elevar o acumulado do mês. A sequência de temporais reforça o cenário de instabilidade observado desde setembro, quando a cidade registrou volumes superiores aos padrões históricos e enfrentou episódios de chuva intensa em diferentes regiões. Em setembro, os pluviômetros de Campo Grande registraram aproximadamente 220 milímetros, diante de uma média histórica de 77,6 milímetros para o período. O resultado ficou 184% acima do esperado, representando quase três vezes o volume habitual. A situação também foi observada em outros municípios sul-mato-grossenses, como Corumbá, onde as precipitações superaram a média em 162%.
O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) já havia indicado, no prognóstico para a primavera, a possibilidade de chuvas frequentes e tempestades mais intensas, principalmente na região centro-sul do estado. A estação, iniciada em 22 de setembro, costuma apresentar condições favoráveis à formação de temporais devido à combinação de temperaturas elevadas, umidade e sistemas atmosféricos instáveis.
Segundo o meteorologista Diego Silva, do LCA/Infi da UFMS, outubro ainda poderá registrar novos episódios significativos de chuva, com possibilidade de encerrar o mês acima da média histórica. Entretanto, o especialista ressalta que ainda não é possível determinar a intensidade final desse excesso, já que as precipitações podem ocorrer de maneira irregular entre diferentes regiões da cidade. O cenário meteorológico também está associado à influência do fenômeno El Niño, que, conforme o Cemtec-MS, poderá provocar mudanças nas condições do tempo durante o último trimestre de 2026. Entre os efeitos previstos estão temperaturas acima da média, maior frequência de ondas de calor, tempestades intensas e rajadas de vento, especialmente quando houver condições atmosféricas favoráveis.
A combinação de calor e umidade aumenta a possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de descargas elétricas e ventos fortes. Em áreas urbanas, episódios de precipitação concentrada em curtos períodos podem provocar alagamentos, dificuldades no trânsito e transtornos em regiões com problemas de drenagem, exigindo atenção da população durante os temporais. Com boa parte de outubro ainda pela frente, os dados meteorológicos indicam que Campo Grande poderá encerrar mais um mês com chuvas acima da média histórica. O acompanhamento das condições do tempo continuará sendo importante para avaliar os próximos episódios de instabilidade e orientar medidas preventivas diante da possibilidade de novos temporais.
Observação editorial: a reportagem original apresenta uma divergência nos percentuais. O acumulado de 154 mm corresponde a aproximadamente 76% da média de 203 mm, e não a 68%. O título e o primeiro parágrafo foram ajustados para refletir o cálculo correto. O levantamento também é referente aos dados acumulados até 9 de outubro, não ao total atualizado de chuvas até esta segunda-feira (12).
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