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Cotidiano Quarta-feira, 10 de Julho de 2013, 09:29 - A | A

Quarta-feira, 10 de Julho de 2013, 09h:29 - A | A

Inspeção encontra sede com portas fechadas e vizinhos desconhecem Salute

Samira Ayub e Lucas Junot - Capital News (www.capitalnews.com.br)

A inspeção na sede da empresa Salute, vencedora do processo licitatório de fornecimento e distribuição de alimentos para a prefeitura municipal de Campo Grande, deu com a cara na porta. Na manhã desta quarta-feira (10), os vereadores Carla Stephanini (PMDB) e Flávio César (PT do B), foram até a sede da empresa, mas encontraram as portas fechadas e vizinhos desconhecem que ali seja um armazém de alimentos.

A Salute venceu o processo licitatório no valor de R$ 1,5 milhão, para fornecer alimentos para as escolas e Centros de Educação Infantis (Ceinfs) da Capital. No endereço apontado pela Receita Federal, na rua das Garças, 372, onde seria o armazém da empresa, existe uma espécie de galeria.

Recém criada, em abril deste ano, e com capital de R$ 50 mil, a empresa chamou a atenção dos parlamentares ao apresentar preços muito abaixo do mercado, inclusive, de grandes redes atacadistas.

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Flávio César alerta que MAPA determina regras para armazenamento de alimentos
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

A reportagem do Capital News conversou com alguns vizinhos da empresa, que desconhecem que ali funciona um depósito. Segundo Ana Maria Fernandes, de 48 anos, depiladora e que há quatro anos possui um salão de beleza em frente ao local, afirmou que há um mês funcionava um salão de beleza e que há quatro anos funciona um escritório de advocacia. Não há nenhuma placa na fachada do endereço que indique que ali seja um depósito de alimentos.

Ao ser informada sobre a existência de um depósito de alimentos, a depiladora, riu e disse que nunca existiu. “Isso sempre foi desse jeito, quem trabalha aí é um advogado e antes havia também um salão de beleza”, afirmou Ana Maria. Ela descarta a possibilidade da Salute ser nesse endereço.

Na quinta-feira da semana passada, a vereadora Carla Stephanini, que preside a Comissão Permanente de Educação e Desporto da Câmara Municipal, apresentou um requerimento em que questiona a distribuição de alimentos para os Ceinfs. O prefeito Alcides Bernal (PP) tem até 15 dias para responder o requerimento.

Segundo Flávio César, que preside a Comissão de Assistência Social e do Idoso, afirmou que a licitação que declarou a empresa Salute como vencedora para o fornecimento da maioria dos itens, não foi homologada, isto por que o edital estabelecia que cada empresa concorrente levasse duas amostras de cada item. Todas atenderam a exigência, menos a Salute, que levou apenas uma amostra. Os demais concorrentes pediram para que esse fato fosse registrado e questionaram o resultado da licitação.

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Flávio César alerta que MAPA determina regras para armazenamento de alimentos
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

“Como essa empresa fechada consegue ter melhores preços dos grandes redes atacadistas?”, questionou Carla em frente ao local. O vereador Flávio César informou que o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), existem critérios para o armazenamento de alimentos e alerta que a distribuição dos mesmos demanda uma estrutura adequada, como palates, câmaras frias, alvará sanitário, caminhão com câmara fria para levar esses itens para escolas e Ceinfs.

Stephanini questiona a afirmação do chefe do executivo municipal de que a distribuição da merenda escolar esteja normalizado. “Naturalmente está normalizado, até porque estamos no período de férias escolares. Mas, mesmo que tudo esteja normalizado, queremos conhecer a fundo a sede dessa empresa e o processo licitatório”, rebate a parlamentar.

A vereadora lembrou o episódio da segunda-feira (8) em que, durante uma entrevista concedida para o programa UCDB Notícias, a parlamentar foi interrompida pelo prefeito que rebateu as declarações de Carla Stephanini. “Ele disse que essa história, da merenda escolar, parecia novela. Bom, se isso é uma novela, esse é o próximo capítulo”, afirmou a vereadora apontando para a sede fechada da empresa.

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Para Carla Stephanini este é o próximo capítulo da "novela" da merenda escolar
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

Para Flávio César o próximo passo é solicitar as requisições desses alimentos e apontou para uma defasagem na distribuição entre o dia 1º de maio à 1º de julho. “A última distribuição foi feita pela empresa MDR, no dia 1º de maio, e a Salute foi oficializada ganhadora da licitação no dia 1º de julho. Como foi feita essa distribuição? Quem distribuiu no mês de maio inteiro até o mês de julho?”, questiona César.

Segundo Flávio César, o vereador Elizeu Dionísio (PSL), relator da CPI da Inadimplência, afirmou que irá tomar providências para investigar esse caso. “Está claro que é uma empresa de fachada, agora vamos procurar saber se existe uma ligação entre essa empresa e a administração pública”, afirmou César.

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Vereadores encontraram cadeados e portas fechadas nesta manhã
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

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