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Decisão

Santa Casa prepara nova diretoria após afastamento de 19 integrantes

Gestor provisório deve reorganizar estrutura do hospital após decisão judicial que atingiu diretoria e conselho de administração

Viviane Freitas
Capital News

Divulgação/ Santa Casa de Campo Grande

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A Santa Casa de Campo Grande deve ter uma nova estrutura administrativa definida até segunda-feira (28), após decisão judicial afastar 19 integrantes da diretoria corporativa e do conselho de administração. O hospital passou a ser comandado provisoriamente por Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nomeado pela Justiça por um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

Entre os dirigentes afastados estão Alir Terra, então presidente da instituição; Heitor Miguel Scheibeler, presidente em exercício; Ivan Araújo Brandão, vice-presidente; Valdir Osvaldo Junior, diretor-secretário; Marcos Alceu da Silva Villalba, diretor de finanças; e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto. Heitor Rodrigues Freire, integrante do conselho que havia sido anunciado para assumir a presidência do hospital, também foi atingido pela decisão. A Justiça proibiu os afastados de acessar as dependências do complexo hospitalar e da Operadora Santa Casa Saúde.

A decisão é do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. Além de reorganizar a administração, Kanamura terá de apresentar mensalmente informações sobre a situação administrativa, contábil e operacional do hospital, incluindo despesas, contratos, aplicação de recursos públicos e privados e medidas adotadas para regularizar a gestão. Entre as atribuições estão ainda renegociar compromissos com fornecedores e credores, remanejar recursos e reestruturar equipes e serviços.

Outro desafio será a negociação do contrato entre a Santa Casa e o poder público para manutenção dos atendimentos. A instituição reivindica aumento do repasse mensal de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões, enquanto representantes do poder público sustentam que os valores atualmente destinados seriam suficientes. A decisão judicial também proibiu a nova administração de contratar empréstimos bancários. Segundo o balanço de 2025, as dívidas com empréstimos ultrapassam R$ 261,7 milhões, enquanto o déficit acumulado da instituição supera R$ 544 milhões.

A intervenção ocorre cerca de duas semanas depois da Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro pelo Gaeco e pelo Gecoc para investigar suspeitas de corrupção envolvendo contratos da instituição. A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia. A investigação apura suspeita de desvios de aproximadamente R$ 4,9 milhões em dois contratos relacionados à digitalização de prontuários. As apurações seguem em andamento, e os investigados têm direito à defesa.

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