Saudade e boas lembranças. Assim que os amigos preferem lembrar dos bons momentos de Ramão Cabreira, jornalista e cronista esportivo de 50 anos que faleceu na madrugada desta segunda-feira (12) na Capital. Quem conheceu de perto Ramão, também conhecido como “caixa” no ramo esportivo de Mato Grosso do Sul pelas suas narrações diversificadas, sabe o quanto era amigo e profissional prezando pelo jornalismo de qualidade e acima de tudo, valorizando o trabalho das pessoas. Assim dizia Marcos Silvestre, comentarista esportivo e amigo que levou Ramão ao mundo do futebol e do esporte local. “O Ramão no começo não queria entrar no meio do esporte. Ele achava que não era a praia dele e ficava muito receoso, até que um dia ele sempre trazia as escalações dos jogadores na época e um dia pedi para que ele fizesse a leitura ao vivo da escalação. Ele aceitou com medo, mas aceitou e desde então não largou mais e se apaixonou pelo esporte. Eu fico muito feliz de ter feito parte de certa forma da trajetória dele, um grande homem que vai ser sempre lembrado pela sua vontade de trabalhar e pela justiça. Nunca falava mal de ninguém, sempre se dava bem como todos, realmente é uma situação que vai ser difícil de superar”, comenta emocionado, Marcos Silvestre.

Marcos Silvestre, o amigo que levou Ramão ao mundo do futebol
Foto: Deurico/Capital News
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Para a filha, Bárbara Cabreira, (15 anos), o mais importante é lembrar do pai e do trabalho sério que ele realizada e do carinho que ele tinha com as pessoas. “Meu pai é meu herói e sempre será, uma pessoa do bem. O futebol do Estado não será mais a mesma coisa sem ele e sem as locuções dele, “caixa, caixa, caixa” vai fazer falta, meu pai ficará eterno nos nossos corações”, comenta a filha emocionada enquanto recebia parentes e amigos do jornalista.
Foto: Deurico/Capital News
Ramão estava se recuperando de uma cirurgia feita há exatos 60 dias e estava se preparando para voltar a dirigir e realizar suas atividades normais nesta segunda-feira (12). Na sexta-feira (9) sentiu dores no peito e falta de ar, foi medicado onde os médicos até o momento não observaram nenhuma alteração mas acabou vindo a óbito nesta segunda.
Quem tem o carinho e respeito de irmão vai preservar a memória do jornalista, como um cara alegre, sempre de bem com a vida. “Foi uma fatalidade, eu jamais imaginaria que isso poderia ter acontecido, eu perder meu irmão que eu tanto amava. Não dá pra entender certas coisas da vida e por que as pessoas que amamos se vão, mas se essa é a lei de Deus é com ela que teremos que conviver, a saudade ficará pra sempre”, se emociona o irmão Mariano Cabreira de 55 anos.

Mariano Cabreira, tenta aceitar a perda do irmão e destaca a boa pessoa que Ramão era
Foto: Deurico/Capital News
No jornalismo, quem teve a oportunidade de trabalhar junto com Ramão, sabe o quanto existem poucos profissionais como ele era para o esporte local. É o que reforça Anderson Ramos, diretor do site de notícias Capital News que contou com o talento do locutor na equipe e também hoje diretor do Operário Futebol Clube. “Eu me lembro dos momentos em que pegávamos a estrada para acompanhar os jogos de futebol do Estado e que após as viagens a gente sentava durante horas e a resenha do jogo era muito boa, rendia boas conversas e eu via a paixão que ele levava para o futebol. Ele fazia o futebol por que ele amava e nunca pelo dinheiro.
E vai deixar saudade, vai ficar marcante pra sempre pra história, principalmente a frase que ele dizia e que ficou como marca registrada dele durante os gols, “Caixa, Caixa, Caixa, goooooool, esse Kara tem o dom, Thiago Farias, o que só você viu”?! Era uma brincadeira dele como a famosa frase para os Operarianos que ele dizia "Bica Galo, Bica Galooooo" sempre depois que a bola rolava em jogos do Operário, que acabou ficando como sua marca registrada, vai deixar saudades”, revela com boas lembranças o amigo Anderson Ramos.
Thiago Farias, o grande parceiro dele, que trabalhou durante 3 anos comenta que Ramão acabou se tornando um amigo, mais que um colega de trabalho. “Nosso trabalho era muito próximo, muito sincronizado, foi realmente uma perda terrível que eu não consigo ainda acreditar que é verdade, vai ser muito difícil daqui pra frente sem a nossa parceria de sempre, um grande amigo que eu tenho no meu coração”, revela Thiago, que narrava os jogos juntamente com Ramão. Como homenagens ao profissional do esporte o sindicato dos jornalistas publicou uma nota de pesar e também a Federação de Futebol de Mato Grosso do Su. O corpo de Ramão está sendo velado na capela Pax Real na avenida Bandeirantes em Campo Grande e o enterro será na terça-feira (13) as 09:30 no Memorial Park.

Thiago Farias, parceiro de Ramão durante as narrações dos jogos de futebol do Estado
Foto: Deurico/Capital News
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