Após o assassinato do policial militar aposentado Arnaldo Alves Ferreira, de 68 anos, na semana passada, no distrito de Lagoa Rica, em Douradina (196 quilômetros de Campo Grande), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) afirmou que o cabo reformado da PM teria “invadido à cavalo a aldeia Ita’y” e efetuado seis disparos contra os índios Guarani Kaiowá.
Por meio de matéria em seu site, o Cimi disse ainda que o indígena João da Silva foi atingido por um tiro em uma das orelhas e que os indígenas já haviam registrado Boletim de Ocorrência “denunciando Arnaldo às autoridades, em função de outra violência praticada por ele contra a comunidade dois dias antes”.
Ainda segundo o Cimi, durante o ataque, integrantes da comunidade indígena conseguiram desarmar o militar reformado. “Arnaldo foi mantido seguro pela comunidade, que informou a ocorrência à polícia local. O PM e o indígena ferido foram encaminhados ao Hospital da Vida, em Dourados. Arnaldo morreu ainda na ambulância; o Kaiowá ferido foi preso pela polícia, acusado de homicídio em flagrante”.
Outro lado
Não é o que dizem os produtores rurais. Eles estão inconformados com a morte do produtor. A classe ruralista não tem dúvidas de que o crime foi motivado pelo impasse e clima de tensão envolvendo a questão fundiária indígena.
Segundo a Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Arnaldo Ferreira era dono de uma propriedade rural de 30 hectares que já havia sido invadida várias vezes pelos índios. A propriedade, diz a federação, é uma herança de família.
O produtor rural foi amarrado e morto a golpes de facão e paulada. Conforme o diretor-tesoureiro da Famasul, Almir Dalpasquale, cerca de 30 indígenas estavam no local do crime e eles proibiram a entrada de ambulâncias e só deixaram a vítimas ser socorrida com a chegada da polícia.
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