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Cotidiano Sexta-feira, 07 de Maio de 2010, 10:53 - A | A

Sexta-feira, 07 de Maio de 2010, 10h:53 - A | A

Capital tratará violência no trânsito como questão de saúde pública e criará núcleo de estudo sobre o tema

Marcelo Eduardo e Lucia Morel - Capital News

Campo Grande passa definitivamente a pensar em acidentes de trânsito como problema de saúde pública. Nesta sexta-feira (7), Campo Grande recebe um seminário que pretende encontrar formas de minimizar a violência nas vias da Capital. Dados apontam que, anualmente no Brasil, cerca de 55 mil pessoas morrem e outras 115 mil ficam com sequelas provisórias ou permanentes em decorrência de acidentes no trânsito.

Membros dos governos do Estado e Municipal, da Polícia Militar, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições se encontram para debater e apresentar propostas. Todos são unânimes em solicitar mais fiscalização e projetos visando a educação, a prevenção.

Para Elizabete Félix, especialista em Trânsito do Departamento de Trânsito Estadual de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), o órgão conta com duas ações principais para coibir a violência no trânsito. “Primeiro, a educação. Nós temos ido às escolas tanto da rede pública de ensino quanto da privada. A intenção é ir às salas de aula para apresentar uma multiplicidade de uma consciência. Depois, há a fiscalização, com lombadas eletrônicas, bafômetros, tec.”

Estas política de levar educação sobre trânsito às escolas será copiada por outras entidades, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e levada a outras cidades do Brasil, conta Elizabete.

Para o médico infectologista diretor-presidente da Fiocruz Cerrado Pantanal, Rivaldo Venâncio, os números são preocupantes. “Em 2009, aproximadamente 53 mil pessoas morreram e outras 115 mil ficaram feridas com alguma deficiência permanente ou não. A violência no trânsito em Mato Grosso do Sul mata mais que guerra. Por exemplo, na Guerra do Iraque morrem de 3 mil a 4 mil pessoas por ano. Nós vivemos uma verdadeira guerra civil no trânsito da cidade. Em Campo Grande, são cerca de 200 a 220 mortes em um ano.”

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Médico Rivaldo Venâncio acredita que falta rigor na fiscalização e ainda relata que 2/3 dos leitos dos hospitais são ocupados por pacientes vítimas de acidentes
Foto: Deurico/Capital News

Ele acredita que as causas da violência no trânsito “são múltiplas” e que, por isso mesmo, as ações têm que ser ampliadas. “Há a falta de educação, falta de sinalização e falta de fiscalização. O que temos que fazer é substituir uma cultura de violência no trânsito por uma cultura de paz no trânsito. Além disso, é preciso mais rigor na fiscalização para o cumprimento da Lei Seca e das demais leis do trânsito. O Estado também deve estruturar os equipamentos públicos [vias, semáforos, polícias, etc.] para que possam agir com mais qualidade.”

A ida às escolas é fundamental, segundo Rivaldo Venâncio. “Quantas vezes a gente não viu um pai parar de fumar porque o filho pediu. Da mesma forma, se faz com a educação de trânsito.”

Algo de concreto

Conforme a secretária de Estado de Saúde, Beatriz Dobashi (PMDB), 85% dos pacientes que chegam aos prontos socorros dos hospitais de Campo Grande são vitimadas por trauma. Todavia, não há identificação sobre quais destas fazem parte do grupo que sofreu com violência no trânsito. “É preciso resolver a questão da informação, de transferência de dados. Não dá para saber, por exemplo, sem isso, quanto se gasta com as vítimas de acidentes. Mas, sabe-se que é muito oneroso”, explica.

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Secretária estadual de saúde, Beatriz Dobashi, destaca que 85% dos atendimentos de emergência nas unidades de saúde são proveninetes de vítimas de traumas
Foto: Deurico/Capital News

O professor Rivaldo Venâncio informa que, a partir das decisões tomadas após este seminário, uma comissão permanente para pesquisas melhorias no trânsito será criada. “Todos os agentes que estão aqui serão parte do Núcleo de Estudo da Violência e Saúde.”

De acordo com o major Alírio Vilassante, comandante da Companhia Independente de Polícia de Trânsito (Ciptran), as ações de prevenção e fiscalização em Campo Grande estão sendo bem feitas. “De segunda a quinta, nós ficamos nos bairros, no período de manhã e tarde. Fazemos fiscalização das documentações e com bafômetro. De sexta a domingo, ficamos mais à noite, na região central. As atividades são as mesmas.”

Ele lembra que os locais considerados de maior perigo são as avenidas Afonso Pena e Eduardo Elias Zahran. “Também ficamos, à noite, em locais como a Avenida Costa e Silva, o Posto de Combustíveis Trocar na Avenida Fernando Corrêa da Costa, e nas proximidades do Posto de Saúde do Bairro Guanandi – que são pontos em que o consumo de bebida alcoólica por condutores é maior. Além disso, ainda há frente especial para coibir os excessos dos condutores de motos. Pois, 50% dos acidentes são com estes veículos.”

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Autoridades e pessoas envolvidas lotaram o auditório da Escola da Saúde, em Campo Grande
Foto: Deurico/Capital News


Por: Marcelo Eduardo e Lucia Morel – (www.capitalbews.com.br)

 

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