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Polícia Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008, 11:46 - A | A

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008, 11h:46 - A | A

Cada vez mais muheres procuram abortivo Cytotec na fronteira

Lucia Morel - Capital News

O medicamento Cytotec, proibido no Brasil e originalmente usado para controle de úlceras, é encontrado facilmente em Pedro Juán Caballero, na fronteira com Ponta Porã. Devido ao uso do medicamento como abortivo, mulheres de várias cidades do Estado, inclusive de Campo Grande vêm sendo atendidas no Hospital Regional de Ponta Porã com hemorragias advindas de abortos provocados. O número de mulheres preocupa a direção do hospital, já que tem sido freqüente a procura por atendimento.
A médica Conceição Escobar, que chegou a ser acusada por pacientes de não dar a devida atenção às mulheres internadas na maternidade do HR afirmou que muitos casos de hemorragia provenientes de aborto provocado têm surgido no hospital e que a maioria delas, depois de tentarem provocar o aborto procuram o hospital para fazer a curetagem.
“Acreditando que o feto já morreu, estas mulheres vêm até aqui e solicitam uma curetagem. Nos casos de comprovação do aborto, cuja causa – mesmo tendo sido provocada pelo Cytotec – não pode ser comprovada, o HR faz o procedimento”, afirma a médica. Segundo a médica, uma média entre 3 a 5 curetagens são feitas diariamente, o que pode corresponder a até 150 abortos por mês, mas “lógico que há exceções”.
Entretanto, quando a mulher é submetida a um ultrassom – e isso, diz a doutora é aplicado em todos os casos – e o procedimento acusa que o feto ainda está vivo, o atendente inicia um tratamento para que o bebê sobreviva, mesmo contra a vontade da mãe.
Isso, ainda segundo a médica, faz com que as mulheres fiquem contrariadas, nervosas e, em alguns casos, até com ataques de histeria, o que é motivo suficiente para que parentes ou acompanhantes procurem a imprensa para reclamar do atendimento. Na verdade, o problema é muito maior e requer imediata intervenção das autoridades ligadas ao setor da Saúde.

Há quem veja, inclusive, a necessidade de se abrir uma discussão com as autoridades paraguaias, para imprimir um controle mais rígido sobre a comercialização do Cytotec na divisa com o Brasil.

ANÚNCIOS

Enquanto no Brasil a comercialização do Cytotec é proibida, em outros países, como na República Domincana, chega a surpreender a publicação de anúncios na Internet. Um deles, encontrado ontem pela reportagem, cujo endereço não será divulgado justamente para não promover a venda do medicamento, trazia uma foto de uma mulher grávida, com o seguinte texto: “No lo quieres, te ayudo. Vendo pastilhas abortivas Cytotec”, o que significa em Português: “Se não o queres [bebê], te ajudo. Vendo comprimidos abortivos Cytotec”.

O anúncio, divulgado pelo Evisos desde o dia 26 de setembro último, chega a ser ainda mais abusivo para os padrões brasileiros e conta uma estória triste dos problemas familiares que um filho não planejado poderia provocar. Depois de assegurar que “eles” se tratam de profissionais “gabaritados”, os próprios anunciantes aconselham o tratamento feito com Cytotec, do laboratório Pfizer, com 200 mcg, tendo como princípio ativo o Misoprostol.

No Paraguai, mesmo que o comércio do medicamento seja liberado, a reportagem não chegou a encontrar algum anúncio na Internet. Mas, para surpresa, antes de encerrar o material, fez-se uma consulta sobre a venda do produto no Brasil, onde se sabe que é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), descobrindo-se que até no Brasil há propaganda semelhante. (Com informações do Mercosul News)

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