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Terça-Feira, 24 de Março de 2015, 16h:16
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Apesar de atingir 7 milhões de brasileiras, a endrometriose ainda é desconhecida

Kemila Pellin - Capital News

Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou dados alarmantes, cerca de 180 milhões de mulheres no mundo sofrem de endometriose. No Brasil, a doença afeta de 10% a 15% das mulheres em fase reprodutiva, ou seja, cerca de 7 milhões de brasileiras.
Mas o problema maior está num outro levantamento, realizado pela Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) em 2014, que aponta que 53% das entrevistadas desconhecem a endometriose.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o desconhecimento vem justamente da ausência de sintomas peculiares, uma vez que são facilmente confundidos com cólicas menstruais, rotineiras e frequentes em muitas mulheres, mas diferente desta, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade e não tem cura, porém existe tratamento e com o diagnóstico precoce é possível ter controle sobre a doença e até pensar em gestação.

A endometriose é uma doença inflamatória que ocorre quando o tecido que reveste o útero (conhecido como endométrio), se expande fora dele, chegando a lugares onde não deveria crescer, como os ovários e a cavidade abdominal. Esse distúrbio pode surgir a partir da primeira menstruação e por isso, recomenda-se também atenção às adolescentes.

Ainda não se conhece exatamente o porquê a endometriose se desenvolve, mas é sabido que fatores imunológicos, genéticos e hormonais estão associados ao surgimento doença. Clinicamente, na maioria dos casos, 44% das mulheres leva cerca de cinco anos reclamando sobre dores e desconfortos até chegar o diagnóstico definitivo.

Sintomas:

Dores pélvicas e durante a relação sexual, menstruações dolorosas, fluxo intenso e alterações no hábito intestinal (diarreia ou obstipação) e urinário indicam a possível presença dessa patologia.

O Dr. Mauricio Abrão, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), responsável pelo Setor de Endometriose do Hospital das Clínicas da USP e Coordenador da Clínica de Reprodução Humana do Hospital Sírio Libanês, alerta que “Mulheres que passam mais de um ano tentando engravidar e não conseguem, podem ter endometriose devido à alteração nas trompas (obstrução), ovulações imperfeitas, piora na qualidade dos óvulos ou a presença de agentes inflamatórios que dificultam a fecundação do óvulo. Com o diagnóstico precoce, elas têm opções de tratamento que minimizam os impactos no bem-estar diário e possibilita a programação de uma gravidez com tranquilidade. Em caso tardio, as trompas, que são responsáveis por conduzir o óvulo ao útero podem ser comprometidas e os hormônios e o sistema imunológico serem alterados, dificultando uma gravidez”.


Maternidade e tratamento:

Segundo dados da Febrasgo, de 30 a 50% das mulheres com endometriose podem ter dificuldade de engravidar, mas apesar da complexidade da doença, para as que sonham em realizar o desejo de serem mães, é possível. Entre as opções de tratamento clínico mais utilizadas está o uso de pílulas contraceptivas orais que reduzem a cólica menstrual e a dor pélvica. No Brasil, é possível encontrar o dienogeste, primeiro tratamento clínico de longo prazo, ministrado por via oral com dose única diária, indicado especificamente paraendometriose.

Assim como a maioria das questões relacionadas à saúde da mulher, a melhor forma de prevenir a endometrioseé com a conscientização para que se chegue ao diagnóstico precoce. Embora ainda não exista a cura da doença, o tratamento disponível possibilita uma rotina com qualidade de vida, bem-estar e planejamento familiar para a realização da maternidade.

 

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