Levantamento inédito da Bulbe Energia revela que o país registrou mais de 348 mil pesquisas sobre o tema, com os estados sulistas concentrando o maior índice de preocupação com os impactos climáticos
O avanço das mudanças no clima e a frequência cada vez maior de eventos extremos transformaram o El Niño em um dos temas mais pesquisados pelos brasileiros. Muito além da curiosidade sobre a previsão do tempo, o interesse reflete uma preocupação com seus impactos no preço dos alimentos, no fornecimento de energia e na economia das famílias.
Ele ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, alterando a circulação atmosférica e os regimes de chuva em diversas partes do mundo. No Brasil, seus efeitos variam entre as regiões, mas costumam provocar mudanças significativas nos padrões de precipitação e nas temperaturas.
Diante da alta probabilidade de o fenômeno se estabelecer durante o segundo semestre de 2026, órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) já alertam para a possibilidade de novos eventos climáticos extremos.
Sul concentra o maior interesse pelo El Niño no Brasil
Um estudo realizado pela Bulbe Energia, fornecedora de energia solar por assinatura, com base em buscas no Google Brasil pelos termos “el nino” e “el nino 2026” proporcional a 100 mil habitantes durante o período entre maio/2025 e abril/2026, revelou quais são os estados brasileiros que mais realizam pesquisas pelo fenômeno. Os dados tratam-se apenas de buscas online e não refletem, necessariamente, intenções de compra ou quaisquer comportamentos adjacentes.
Ao todo, o país registrou 348.770 buscas relacionadas ao El Niño. Embora estados de diferentes regiões apareçam entre os 10 primeiros colocados, a concentração do interesse chama a atenção no Sul do país, que apresentou 353 pesquisas a cada 100 mil habitantes. Isso é mais que o dobro do registrado no Sudeste, com 171 buscas.
Esse resultado reflete o estado de alerta permanente vivido pela população sulista após uma sequência de eventos climáticos extremos. Somente as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 afetaram 6.333.727 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de provocarem perdas econômicas.
Entre os 2.047.938 domicílios atingidos, a interrupção do abastecimento de água, da energia elétrica e do acesso à internet esteve entre os impactos mais frequentes.
Diante desse histórico recente, cresce a tendência de acompanhar informações sobre o El Niño como forma de antecipar riscos e se preparar para possíveis novos episódios de chuvas intensas.
Enquanto o Sudeste reúne quatro representantes entre os dez primeiros colocados, Distrito Federal (DF), Mato Grosso do Sul (MS) e Roraima completam o grupo, indicando que a preocupação também alcança outras áreas do país, ainda que em menor intensidade.
Impactos climáticos e a busca por resiliência regional
Segundo o INPE, durante episódios de El Niño, a Região Sul, que mais pesquisou sobre o assunto, tende a registrar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes e inundações. O fenômeno também favorece a formação de ciclones extratropicais, e as temperaturas permanecem acima do normal, especialmente entre o inverno e a primavera.
No Sudeste, os efeitos costumam variar mais. Ainda assim, o fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas, favorecer períodos de estiagem em algumas áreas e intensificar episódios de calor prolongado, principalmente durante a primavera e o verão.
O Centro-Oeste, representado no ranking pelo DF e por MS, apresenta uma relação menos direta com o El Niño. Ainda assim, o fenômeno costuma elevar as temperaturas e reduzir a umidade do ar, aumentando o risco de queimadas. Em episódios mais intensos, a região pode registrar chuvas mais regulares durante o verão e o outono, o que ajuda a amenizar parte dos efeitos do calor.
Como o El Niño influencia o planejamento financeiro das famílias
Os efeitos do El Niño vão além das condições meteorológicas. Quando secas reduzem os níveis dos reservatórios ou chuvas intensas provocam danos à infraestrutura, diversos setores da economia sentem os impactos, que acabam chegando ao bolso do consumidor.
Por isso, o crescimento das buscas digitais também revela um comportamento de prevenção econômica. Ao acompanhar informações, muitas famílias conseguem planejar melhor o orçamento, antecipar despesas, proteger imóveis e se preparar para possíveis oscilações nos preços de produtos e serviços.
Essa mudança de comportamento também amplia o interesse por soluções capazes de reduzir a dependência das variações do setor elétrico. Assim, alternativas baseadas em fontes renováveis ganham espaço por oferecerem maior previsibilidade de custos.
À medida que os eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, buscar informações sobre o El Niño deixa de ser apenas uma reação às notícias e passa a integrar um processo de adaptação.
Afinal, compreender como o fenômeno influencia o clima, a economia doméstica e o consumo de energia representa um passo importante para que famílias tomem decisões mais conscientes em um cenário de crescente instabilidade climática.


