Empresas de tecnologia voltadas para saúde ascendem com ferramentas para inovar os serviços
As healthtechs, empresas de tecnologia voltadas para serviços de saúde, têm apresentado crescimento expressivo no Brasil e formado uma nova tendência no mercado do ramo. O país concentra 64,8% das startups de saúde em toda a América Latina.
O mercado brasileiro registrou avanço de 37,6% de investimentos em 2024, com 253,7 milhões de dólares (R$ 1,2 bilhão) de investimento total, de acordo com o Relatório HealthTech Recap 2024, divulgado pelo portal Saúde Business.
O que são as healthtechs?
Healthtechs são empresas que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas para o setor da saúde. As corporações podem usar recursos como inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), telemedicina e análise de dados para tornar atendimentos, diagnósticos e processos de gestão mais eficientes, otimizados, acessíveis e personalizados.
Essas empresas atuam em diferentes ramos e oferecem desde plataformas para gestão de hospitais e clínicas até ferramentas de monitoramento remoto de pacientes e sistemas de apoio à tomada de decisão médica.
Com foco na digitalização do setor, as healthtechs também impulsionam avanços em prevenção, interoperabilidade de dados e experiência do paciente. A proposta é por um modelo de saúde conectado e guiado por tecnologia.
Brasil lidera na América Latina
O Brasil é detentor de ampla maioria do mercado de healthtechs na América Latina, com mais da metade das empresas no país – quase 65%.
O Relatório HealthTech Recap 2024 ainda mostra que o México é o país que mais se aproxima do Brasil, com 16,2% das healthtechs investidas. Argentina (5%), Colômbia (4,4%) e Chile (3,9%) vêm na sequência.
IA impulsiona mercado
Parte do mercado é formada por startups de tecnologia voltadas para a saúde. Setenta dessas empresas de Inteligência Artificial (IA) foram abertas na América Latina nos últimos anos, sendo que a adoção da ferramenta saltou de 14% para 20%, com tendência de crescimento ainda maior.
O uso de IA tem aumentado como um todo no sistema de saúde. Levantamento da pesquisa TIC Saúde aponta que a presença da tecnologia em estabelecimentos com internação e mais de 50 leitos passou de 5% para 16% em apenas um ano.
De acordo com Rodrigo Coutinho, CIO da Dr. IAgenda, em declaração ao portal Valor Econômico, a adoção de IA em consultórios e clínicas menores ainda esbarra em desconhecimento sobre o funcionamento da tecnologia, receios sobre conformidade regulatória e o custo de implementação. Entretanto, grandes hospitais e redes já incorporaram a tecnologia como diferencial competitivo. Com a popularização de soluções acessíveis e fáceis de integrar, a adesão deve dobrar nos próximos anos, segundo o executivo.
Quais são os diferenciais?
O crescimento acelerado de healthtechs se justifica por apresentar diferenciais no mercado de saúde, como a otimização do agendamento de consultas. Profissionais do meio, inclusive, têm apresentado uma aceitação cada vez maior às ferramentas tecnológicas. Os potenciais diferenciais incluem:
• Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML)
• Telemedicina e monitoramento remoto
• Computação em nuvem
• Cibersegurança
• Big Data e análise de dados
• Blockchain
• Automação de processos clínicos
• Gestão digital de pacientes
• Interoperabilidade de dados
• Internet das Coisas (IoT) aplicada à saúde
A transformação digital tem sido fundamental para descentralizar atendimentos especializados no sistema de saúde brasileiro. Recursos como uma plataforma de telemedicina permitem que pacientes em diferentes localidades acessem consultas e diagnósticos remotamente, ampliando o alcance dos serviços médicos.
Segundo Stella Soares, CEO da Dr.IAgenda, três fatores impulsionam essa evolução: as novas regulamentações e incentivo à digitalização, a demanda por personalização no atendimento e a redução do tempo de retorno sobre o investimento.


