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Marco Eusébio Quinta-feira, 02 de Agosto de 2012, 08:00 - A | A

Quinta-feira, 02 de Agosto de 2012, 08h:00 - A | A

Cardiologistas em greve na Santa Casa

Marco Eusébio

Cardiologistas em greve na Santa Casa

Cardiologistas da Santa Casa de Campo Grande estão em greve nos setores de Urgência e Emergência. O movimento começou no domingo. Há quatro dias que o hospital não conta com esses imprescindíveis especialistas. A paralisação não é em causa própria, por melhores salários ou coisa parecida, como sempre acontece. Por sinal, os médicos da Santa Casa hoje são os mais bem pagos do estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De 52 reais a hora trabalhada quase que dobrou e é hoje de 100 reais. O movimento, na verdade, foi deflagrado em defesa da população. Vamos aos fatos...

A Santa Casa de Campo Grande, apesar da famosa crise, continua o mais bem equipado nosocômio de Mato Grosso do Sul. É o hospital referência, para onde são mandados todos os casos que os demais hospitais, públicos ou particulares, não conseguem atender. O Ministério da Saúde, por meio da Portaria nº 2048, do ano de 2002, há dez anos classifica os hospitais em três níveis: I, II e III. O hospital é de nível terciário, acima dos demais. Isso, claro, tem custo maior que faz do citado hospital, o mais bem pago pelo SUS no estado.

Tal privilégio tem contrapartida. Uma das exigências a serem cumpridas é que em mais de dez especialidades, incluindo a cardiologia, o hospital deve ter um profissional sempre presente, 24 horas. Na Santa Casa local, entretanto, a administração alegou aos profissionais que não tinha como manter esse plantão permanente e decidiu que os cardiologistas atenderiam só durante o dia. Se alguém chegasse à urgência ou emergência (Pronto Socorro) na madrugada, precisando de cardiolgista, seria atendido por especialista em outra área, pelo menos até o começo do turno diário dos especializados em doenças do coração.

Os médicos, entretanto, não concordaram. Até porque, pelo novo estatuto da profissão, se algum paciente sofrer a falta de especialista em hospital referência pago pelo SUS para manter profissional permanente, os profissionais serão considerados omissos ou cúmplices do descumprimento da norma. Em Campo Grande, as negociações estavam em andamento desde janeiro, mas sem resultado. No dia 28 de junho, os médicos protocolaram ofício à direção administrativa do hospital, dando prazo de um mês para suas reivindicações serem atendidas: o cumprimento da determinação federal de manter cardiologista 24h no hospital e, também, que fosse reformada a Unidade Coronariana. Sem resposta, no dia seguinte ao fim do prazo, domingo (29) os especialistas decidiram pela paralisação.

Vale frisar que a greve só atinge o setor de urgência e emergência, o Pronto Socorro. No caso da Unidade Coronariana, o expediente dos médicos especializados em cardiologia continua normal. Quatro dias depois de deflagrada a greve, felizmente, ninguém perdeu a vida por não dispor do serviço pago pelo dinheiro público, o que levaria o caso a virar escândalo nos jornais. Antes disso, eis, aqui divulgado, o que está ocorrendo, dentre outras coisas, no principal hospital de Mato Grosso do Sul. 


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Nascido em Santo André (SP) e radicado em Campo Grande (MS) desde a adolescência, Marco Eusébio é um dos mais experientes jornalistas de Mato Grosso do Sul. Com um estilo refinado e marcante de escrever, ficou conhecido como autor de uma das mais lidas colunas divulgadas em sites de notícias do estado. Agora em formato “in blog” amplia a comunicação com seus leitores através deste Portal www.marcoeusebio.com.br ativado no dia 29/2/2009.

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