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Uso excessivo de antibióticos pode causar problemas cognitivos em mulheres na meia-idade

Por Laura Fassina

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Brasil é o campeão em uso de antibióticos na América Latina e ultrapassa países europeus

iStock

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O assunto é polêmico e sempre divide opiniões, mas como diz o ditado: contra fatos não há argumentos. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso de antibióticos no Brasil tem uma média superior em relação aos países da Europa. Além disso, nosso país tem o título de campeão da américa latina no uso destes medicamentos. Na lista de antibióticos mais usados se destacam a amoxicilina e a  amoxicilina/ácido clavulânico.

Mulheres no alvo
Usar antibióticos é perigoso? Não é essa a questão, a medicação pode salvar vidas, o problema está no seu uso excessivo, que pode até causar declínio cognitivo em mulheres na meia-idade, como revelou uma pesquisa da revista PLOS One. O estudo analisou 14.542 mulheres norte-americanas e foi constatado que aquelas, na faixa de 45 a 55 anos, que utilizavam uma grande quantidade de antibióticos, tinham uma maior probabilidade de terem um declínio cognitivo precoce.

Metodologia
A pesquisa dividiu o uso de antibióticos em quatro grupos. O primeiro se referia àquelas pessoas que não utilizavam nenhum, no segundo grupo estavam os indivíduos que usaram o antibiótico durante o período de um a 14 dias. O terceiro grupo era composto por pessoas que fizeram uso do medicamento por 15 dias a 2 meses e, por fim, o quarto grupo, com  pessoas que utilizaram a medicação por mais de dois meses. Durante o estudo, as razões mais apresentadas para o uso de antibióticos foram: infecções respiratórias, urinárias e problemas ortodônticos.

Os pesquisadores avaliaram uma série de testes neuropsicológicos que revelavam quesitos de cognição global, atenção, memória, aprendizado e habilidade psicomotora. Assim foi possível relacionar o aumento no tempo de uso de antibióticos a uma menor pontuação em testes cognitivos.

Efeitos indigestos
Além do risco que a exposição excessiva a antibióticos pode causar, a pesquisa foi eficaz para demonstrar a importância da microbiota intestinal para a cognição humana. Já que tais medicamentos afetam diretamente o equilíbrio da nossa flora intestinal.

A microbiota intestinal  é uma espécie de time que conta com trilhões de bactérias, fungos, vírus e archae. O antibiótico causa um desequilíbrio, que pode colocar em risco o funcionamento da equipe e deixar o corpo vulnerável a outras doenças. Então o antibiótico seria, de uma forma bem simplificada, uma ação externa pontual, mas que precisa ser breve. Uma dica da vovó, que vale ouro, é usar probióticos em paralelo ao uso da medicação e manter uma alimentação saudável, no intuito de equilibrar o intestino.

O uso inadequado dos antibióticos causam uma série de efeitos desastrosos ao corpo humano e também podem contribuir para que bactérias se tornem resistentes e tornem alguns remédios ineficientes. Se chegarmos a esse ponto, de acordo com a OMS, veremos pessoas morrerem por infecções comuns e ferimentos leves, por falta de antibióticos eficazes para deter as bactérias.

Os antibióticos são muito importantes para combater sintomas de sinusite, amigdalite, pneumonia, tuberculose, infecção urinária, meningite, gonorreia, sífilis e uma infinidade de doenças. O uso adequado é o que irá manter seu funcionamento efetivo, parafraseando o médico suíço-alemão Paracelso, “a diferença entre o remédio e veneno, está na dose”.

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