Foi realizada na manhã desta quarta-feira, 26, audiência pública no plenarinho da Câmara Municipal de Campo Grande, para debater as questões relacionadas à suspensão do atendimento psiquiátrico ambulatorial pela Santa Casa de Campo Grande.
O diretor-presidente, Issan Moussa, juntamente com membros da junta administrativa da Santa Casa, compareceu à reunião para prestar esclarecimentos sobre a decisão do hospital, bem como relatar as difuculdades enfrentadas pelo serviço de psiquiatria. O médico e chefe do Setor de Psiquiatria, Dr. Luiz Salvador de Miranda Sá, também esteve presente à audiência.
Moussa confirmou aos vereadores que hoje estão suspensos os atendimentos ambulatoriais no Setor de Psiquiatria, porém afirma que o atendimento psiquiátrico no Pronto-Socorro está funcionando normalmente.
De acordo com o supervisor, o setor psiquiátrico da Santa Casa é o quinto do País em qualidade de atendimento, sendo que as prioridades são o atendimento aos pacientes e o ensino aos residentes. Ele explica que o número de atendimentos realizados é maior do que a capacidade do hospital. Ao todo 350 consultas são efetuadas semanalmente, por apenas 10 residentes e outros cinco profissionais de saúde que atendem ao setor.
O médico, que é chefe da psiquiatria há 44 anos, explica que é importante descobrir as neuroses no início, enquanto a cura ou tratamento eficaz são possíveis. Quando se tornam crônicas não há mais possibilidade de cura e passa a ser apenas uma questão de acompanhamento ambulatorial e medicamentosa.
"Nosso atendimento precisa ser direcionado aos pacientes agudos e não aos crônicos, que devem ser atendidos nos CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial), o que não está ocorrendo", esclarece.
Salvador diz que, "o número de CAPS é insuficiente para o tamanho de nossa população. Veja o caso dos autistas, que devem ser atendidos no CAPS Infantil, mas são remetidos à Santa Casa. Não temos como atender aos autistas. Na verdade não temos mais como atender os pacientes crônicos e a forma que encontramos para solucionar essa superlotação e chamar a atenção do Poder Público foi fechar as portas. Estamos afogados, por isso tivemos que fechar o atendimento a novas internações”, denunciou o médico.
Membro da Junta Administrativa, Antônio Lastória, destacou que os CAPS foram criados a partir da “desospitalização” adotada pela Política Nacional de Saúde Mental, para por fim às internações em sanatórios, “mas eles não têm condições de atender a essa demanda. Hoje apenas 30 municípios de Mato Grosso do Sul possuem CAPS, em Campo Grande existem cerca de 6 ou 7 CAPS.
Em todo o Estado só temos dois hospitais manicomiais, o Nosso Lar, em Campo Grande (com 60 leitos) e o Hospital de Paranaíba (com 40 leitos), que nunca foram ampliados. Hoje se tivermos um preso com distúrbio mental, não temos para onde levá-lo porque nenhum hospital conta com a segurança necessária para mantê-lo lá. Hoje são proibidas grades em hospitais manicomiais, por isso estamos sendo obrigados pela Justiça a mandá-los para serem atendidos em outro Estado”, disse.
Já o vereador Paulo Pedra (PDT), sugeriu que a Casa de Leis apresente uma emenda coletiva ao Orçamento Municipal de 2012, a fim de destinar mais recursos para a Santa Casa. A proposta será debatida em Plenário.
O presidente da Comissão, vereador Loester Nunes (PMDB), afirmou que uma nova audiência será marcada, desta vez, com a participação de um representante do Ministério da Saúde.
"Nós vamos trazer esse representante porque trata-se de uma questão de política nacional, que não está dando resultado aqui e vamos ainda ouvir o Estado e o município, porque não adianta ficar criando os famosos CAPS se eles não dão atendimento à esses pacientes", disse.
A reunião ainda não tem data definida.
