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Saúde Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013, 10:51 - A | A

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013, 10h:51 - A | A

Santa Casa acredita que transplantes de rins serão retomados em uma semana

Bruno Chaves - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Durante coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (30), o diretor técnico da Santa Casa, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, esclareceu os motivos da paralisação dos transplantes de rins no maior hospital do Estado. Segundo ele, diversos protocolos de atendimento de cinco equipes médicas – 3 nefrológicas e 2 urológicas – estavam dificultando o correto atendimento aos pacientes. Kanamura acredita que os transplantes serão retomados em uma semana.

“A intenção é fazer um único protocolo de atendimento definido pelo Hospital do Rim”, explica o médico que é responsável pela Santa Casa. Ele explicou que na última quinta-feira (24) foi convocada uma reunião para estabelecer essas normas. Mas, como os responsáveis não compareceram no compromisso, foi necessário paralisar o atendimento.

“Os transplantes pararam temporariamente. Com essa atitude, estamos tentando minimizar o sofrimento do paciente”, comenta Kanamura que afirmou que uma nova reunião, que irá definir o correto protocolo de atendimento, acontecerá  nesta quinta-feira (31), onde será assinado um compromisso. O atendimento de transplante será retomado na outra semana, no dia 7 de fevereiro.

Kanamura informou que o atendimento foi paralisado porque o protocolo não estava funcionando de forma correta, sendo que não ofereciam segurança nem aos pacientes nem à equipe médica.

Questões como falta de medicamento, capacitação de equipe de enfermagem, leitos e disponibilidade médica atrapalhavam a correta forma de transplante. “O médico, cansado, não pode realizar uma operação de transplantes. Ele tem que averiguar se tem medicamento disponível e se tem enfermeiro para cuidar do pós-cirúrgico. Estas questões estavam dificultando”, comenta.

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Aréa de transplantes está parada desde semana passada
Foto: Deurico/CapitalNews

Números

Em 2012 foram realizados 38 transplantes de rins na Santa Casa de Campo Grande. Desses transplantados, o hospital registrou quatro óbitos por complicação. Do total de doares, 60% equivale a cadáveres e 40% de pessoas vivas.

Foram diagnosticadas 107 mortes cerebrais no hospital, em 2012. Os familiares de 43 pacientes foram entrevistados para ver a possibilidade de acontecer a doação. Os 64 pacientes restantes não se enquadravam como doadores de órgãos.

Familiares de 17 pacientes autorizaram a doação. As outras 14 famílias não aceitaram doar o órgão de seus entes. A maior parte das doações de rins é de pessoas vivas. Em 2013, até o momento, foi realizado um transplante de rim.

A área de transplantes da Santa Casa conta com um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para as primeiras 24h após a realização da cirurgia; dois leitos de recuperação, para as 24h após o procedimento cirúrgico; e seis leitos de enfermaria para internações de complicações.

Complicação

O aposentado Edson Pereira dos Santos, de 47 anos, sofre de insuficiência renal. Desde criança ele recebe tratamento por causa de uma infecção urinária. Ele foi transplantado em 5 de agosto de 2008 e até hoje sofre com complicações da cirurgia.

“Os fortes remédios que eu tomei a vida toda me fizeram ter esses problemas renais. Tenho o batimento cardíaco fraco e minha situação de saúde complicou com a idade. Entre hemodiálise e transplante, fiquei seis anos me tratando”, comenta.

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Paciente transplantado em 2008 sofre com complicações da cirurgia até hoje
Foto: Deurico/CapitalNews

Ele relata que a dificuldade na Santa Casa é a mão de obra. “A noite não tem enfermeiros para cuidar da gente. Tem noite que vem dois, tem noite que vem um”, conta.

Edson voltou ao hospital no dia 17 de janeiro. Desde 2008, quando ele fez o transplante de rim, ficou um ano e meio internado, em tempos alternados. Já fez quatro cirurgias após a transplantação e, por duas vezes, focou 65 dias diretos num leito do hospital.

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