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Rural Sexta-feira, 30 de Maio de 2008, 11:20 - A | A

Sexta-feira, 30 de Maio de 2008, 11h:20 - A | A

Trigo no Brasil vale o dobro do grão dos EUA

Da Redação

O preço do trigo no Brasil está em patamares recordes, valendo mais que o dobro da cotação para o produto equivalente dos Estados Unidos, uma vez que praticamente não há oferta do cereal nacional no principal produtor brasileiro, o Paraná. Mas a conjuntura está animando produtores e estimulando o plantio, disseram especialistas.

No Paraná, a área plantada deverá superar 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2005, e no Rio Grande do Sul, o segundo produtor brasileiro, o plantio também está recebendo o mesmo impulso, com o Estado prevendo 950 mil hectares.

No mercado paranaense, o preço pago ao produtor está em uma média de R$ 41,85 por saca de 60 kg (ou R$ 697 por tonelada), maior valor pelo menos desde o início do Plano Real, em 1994, e no atacado há interesse de venda a 750 reais/tonelada.

A cotação na base Fob de um trigo "soft" dos EUA está em torno de 412,5 reais/tonelada, bem abaixo do valor recorde do início do ano, uma vez que os norte-americanos já começaram a sua colheita, segundo um trader do Brasil.

"Deve superar 1 milhão de hectares", disse a agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Paraná, comentando o efeito do preço para o plantio, que já passou de 60% da área estimada.

Segundo ela, as chuvas generalizadas no Estado na quarta-feira (28-05) e madrugada desta quinta-feira devem ter beneficiado o desenvolvimento do grão plantado e permitirão que o restante da semeadura possa deslanchar.

"Os produtores estavam sendo prejudicados pelo tempo seco... Mas o pessoal está bem animado com esses preços", acrescentou a agrônoma. O Paraná poderia colher, em condições normais de clima, pelo menos 2,5 milhões de toneladas, contra 1,9 milhão no ano passado, com um aumento de área de 20%.

No Rio Grande do Sul, onde a semeadura é mais tardia, o plantio já passou de 10% da área estimada, e segue dentro da normalidade, disse Ataides Jacobsen, agrônomo da Emater.

Caso se repita a produtividade do ano passado, os gaúchos produziriam cerca de 2 milhões de toneladas, contra 1,5 milhão no ano passado, também crescendo com um aumento de mais de 10% na área.

Preços caem?

Dessa forma, o mercado estima a produção brasileira de trigo em até 5 milhões de toneladas, contra 3,5 milhões em 2007. Mas apesar desse aumento esperado na produção é possível que esse descolamento de preços entre Brasil e EUA continue pelo menos até a entrada da safra nacional, em setembro, disseram traders.

O que acontecerá no mercado depois é uma incógnita, segundo fontes da indústria e do mercado, uma vez que as empresas do Brasil têm autorização para importar trigo no hemisfério norte, com isenção de taxas, até 31 de agosto.

Depois disso, apesar da aproximação da safra, quando o mercado tende a ficar pressionado, começará haver mais demanda pelo produto nacional, uma vez que as empresas não contarão mais com a isenção de tarifa e não esperam contar com o trigo de seu tradicional fornecedor, a Argentina, que está limitando as vendas.

"(O preço) vai depender muito da demanda em seguida (ao fim da taxa)... A partir daí entra a safra nacional, trigo argentino não vamos ter. Ou vamos importar com TEC (imposto para produto fora do Mercosul) ou vamos nos sujeitar ao preço nacional, e a competição é que vai dizer quanto ele será", afirmou Luiz Martins, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo).

Segundo Martins, os grandes moinhos hoje estão buscando o trigo no hemisfério norte, especialmente nos Estados Unidos, uma vez que o trigo brasileiro está mais caro.

Fontes do mercado estimam que pelo menos 1 milhão de toneladas já foram adquiridas no hemisfério norte, de uma cota total de 2 milhões de toneladas de importações que serão isentas de tarifas.   (Fonte: Reuters)

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